quinta-feira, 19 de novembro de 2009

"Pelo Amor de Pelé"


Há exatos 40 anos, lá pelas 23:11h, a coroação definitiva: Pelé marcava o seu milésimo gol.

O negrinho brasileiro de infância pobre e de futuro incerto logo cedo, ainda nos anos da adolescência, conquistaria o mundo, provocando inveja à memória do mais megalomaníaco dos imperadores romanos ou dos papas católicos.

Ao comemorar o feito, soerguido nos ombros de algum jornalista-torcedor qualquer, após dedicar o gol às criancinhas, clamou aos seus súditos terráqueos em tom messiânico: "vamos ajudar todo mundo, pelo amor de Deus"!

Pensei que o racismo no Brasil acabaria naquela noite.

Talvez fosse melhor se o Rei tivesse apelado ao Pelé.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O BOBO DA CORTE II




Suplicy continua o mesmo. Desta fez o nariz de palhaço torna-se dispensável tamanha a patetice.

A novidade agora é que ele virou assitente de palco de programa de auditório. Neste novo emprego, ele obedece ordens da Sabrina Sato, seja pra dar cartão vermelho para o Sarney (que seria uma ótima idéia se ele não fosse somente um títere obediente do programa humorístico) ou para vestir uma sunga vermelha.

Mais do mesmo


Avião da FAB é encontrado por índios na Amazônia com nove sobreviventes

Tal qual o Voo 1907 da Gol, quem precisa de radar funcionando?!! Os índios localizam os aviões pra gente...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Cine-Guerrilha: Distrito 9


Distrito 9 é um filme que, acredito, dará o que falar. Se não der, deveria! A ficção científica que retrata a segregação em solo sul-africano de aliens que se viram perdidos em nosso Planeta é inquietante e reveladoramente realista. Os aliens, conhecidos pejorativamente por "camarões", e mais parecidos com baratas que chafurdam nos lixões da favela, causam a mesma piedade em nós humanos que sua "semelhante" terráquea. A medida que a trama se desenrola e a "humanização" dos camarões descortina as metáforas contidas na história, o gênero da ficção científica conseguiu se reatualizar, revelando uma sociologia do absurdo pra lá de "humana".


A estética que banaliza a violência importada da mídia dos video-games a qual o diretor (Neill Blomkamp) conhece bem do (violentíssimo) jogo Halo, não chega a comprometer um filme que, malgrado seu teor "político" que repercute as reflexões de um diretor sul-africano da elite branca sobre a sua própria realidade ainda deveras segregadora (quase um mea culpa, por assim dizer), jamais poderá ser retirado da prateleira de blockbusters, com suas explosões e incoerências narrativas peculiares.


Inquietações como a possibilidade de submissão de criaturas tão inteligentes e com acesso a armas mais potentes dos que as de seus dominadores (os "humanos brancos" e os "quase-humanos nigerianos") acabam ofuscadas diante de sua precisão técnica, esta impecável dentro de sua proposta "documental" importada do léxico publicitário, também caro ao diretor deste filme e de campanhas como a dos "transformes" da Citroën. Neste mundo ditado pelo ritmo e pelas equações do mercado, o mérito do filme pode acabar sendo injustamente mensurado pelo seu custo de produção (30 milhões de verdinhas), algo realmente notável pelo resultado que mesmo o telespectador mais alheio ao gênero pode admirar. Mas há mais a se notar neste "blockbuster" diferente, de conteúdo profundo que tem muito a nos dizer sobre a natureza humana e os limites imensuráveis de sua insensatez.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ensino religioso no Brasil (ou, "Adulto que serve foi criança doutrinada?")

Mais de um ano se passou, e eu já alertava contra o projeto de dominação ideológica promovido pelo Estado em suas instituições de ensino no DF*. Agora, as atenções se voltaram para o âmbito nacional. Tudo porque a nova investida dos eternos setores conservadores que dominam nossa política desde a "invenção" do país foi a assinatura do Acordo entre Brasil e Santa-Sé que traz em seu conteúdo a oficialização do ensino religioso nas escolas brasileiras, fato que claramente é uma violação de nosso Estado laico, apartado da religião.

O Vaticano pronunciou que o ensino religioso, conforme o acordo assinado, não pode ser comparativo ou neutro, ou seja, não deve se limitar a um estudo cultural de diversas religiões, mas sim ser confessional.

Além da laicidade do Estado brasileiro, garantido desde a Constituição de 1891, a Lei de Diretrizes e Bases 9.394, em vigor desde dezembro de 1996, assim como seu complemento, Lei 9.475 de julho de 1997, garantem que o conteúdo do ensino religioso público deve ser pluralmente constituído pelas diferentes denominações religiosas, malgrado os casos em que exista a preferência do aluno ou de seu tutor legal por tal ou qual doutrina.

A prática evidenciou a ingenuidade da lei. Segmentos políticos religiosos, notorialmente do campo evangélico, mais bem posicionados dentro das estruturas de poder, valeram-se dela a fim de usufruir desses espaços públicos de ensino para propagar o seu proselitismo. Também se tornou evidente a perseguição religiosa e cultural deste proselitismo, o que forçou a adição de parágrafos em seu texto (Lei 10.639, janeiro de 2003) que obrigaram o ensino público, preferencialmente nas disciplinas de Educação Artística, Literatura e História Brasileira, a incluir em seus programas conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira.

A guerra santa à brasileira vive nesta última década os primeiros anos de um novo capítulo. Se antes o discurso belicoso de algumas religiões evangélicas se voltava aos grupos afro-religiosos, ele tem se redirecionado ao campo católico, principal antagonista pela busca do poder e da influência legitimada em nosso Estado. O ensino religioso público, portanto, é estratégico em projetos de doutrinamento pela sua capacidade de construção de parte dos nossos valores subjetivos e cidadãos. A criança educada sob bases proselitistas, cristãs ou não, resultará no adulto acrítico, iludido a acreditar que possui liberdade de pensamento sem a plena liberdade de informação a qual estamos acostumados. Bem ao gosto daqueles que, de geração em geração, esforçam-se tenazmente para "manter as coisas em seu devido lugar".

No site do Senado Federal (http://www.senado.gov.br/agencia/) no canto direito da tela, realiza-se a enquete: Você é favorável ao ensino religioso facultativo nas escolas públicas? Setores católicos estão fazendo campanha para que se vote na mesma, pois o resultado dela poderá influenciar na votação do Acordo ao qual me referi antes, que aguarda para ser ratificado pelo Senado. No momento, os conservadores estão conseguindo um resultado favorável ao ensino religioso facultativo nas escolas públicas, com mais de 70% de aprovação.

Nós podemos contribuir para baixar este índice.

Entre lá e diga não a este engodo que não fere somente o Artigo II da Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas também compromete nosso ideal libertário e de autonomia das consciências, mais importante do que qualquer léxico elaborado por toda a sorte de fascínoras.

* http://guerrilheirosdoplanalto.blogspot.com/2008/07/situao-de-crise-ensino-religioso-ser.html

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Obituário: Michael Jackson


Nasceu preto, morreu branco e vai virar cinza!

O mundo perdeu seu mais ilustre lunático.

domingo, 17 de maio de 2009

Sabedoria do Casseta


"Assim como a poliomelite e a tuberculose, a humanidade irá vencer o politicamente correto"
Marcelo Madureira em bate-papo com Zé do Caixão

terça-feira, 12 de maio de 2009

No Maranhão, é assim


José, o coronel, ditador e patriarca do clã Sarney não viverá para sempre. Dercy Gonçalves, recentemente, já nos provou que a imortalidade humana não passa de lenda mesmo. Se você é estudante e por acaso está lendo este post, esqueça tudo o que aprendeu sobre o Maranhão. Provavelmente é mentira. Provavelmente também, assim que o nosso presidente do Senado virar adubo, vão rebatizar o Estado. Acostume-se com Sarneylândia ou algo similar. Alguém duvida?

- Para nascer, Maternidade Marly Sarney;
- Para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou Roseana Sarney;
- Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;
- Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, pertencente a um tal de José Sarney;
- Para inteirar-se das notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue sua telinha na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney. Se estiver no interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário;
- Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney, recém batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor, como as demais;
- Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas "maravilhosas" rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.
- Para reclamar de tudo isso, caso você não tenha achado direito, vá até o Fórum José Sarney, procure a Sala de Imprensa Marly Sarney, informe-se e dirija-se à Sala de Defensoria Pública Kiola Sarney.

A Sarneylândia é um dos Estados mais pilhados do Brasil, dominado por seu senhor feudal como manda o figurino medieval. E vai continuar assim por muito, muito tempo mesmo, roubado e fascinoramente dominado que é pelo clã dominante e seus aliados subalternos. A impunidade e a injustiça não têm limites, ainda mais por aquelas bandas, ainda mais nas fuças de cada um de nós, coniventes e indiferentes perante a miséria alheia.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A Gripe Suína e o Planeta dos Macacos


Ok. Estou um pouco atrasado. A OMS já anunciou que não vai mais chamar de Gripe Suína a Gripe Suína. Devemos agora chamá-la de H1N1 influenza A. Que chato. Eu preferia Gripe Suína, ainda mais depois de saber que a OMS ordenou o rebatismo quando a indústria agropecuária e a agência da ONU para alimentação manifestaram preocupação de que o termo "gripe suína" estivesse desorientando consumidores e causando uma matança desnecessária de porcos em alguns países. Coitados dos porcos. Não adianta o Discovery fazer programas mostrando como eles são inteligentes e como dariam melhores animais de estimação do que os cachorros. Sobra sempre pra eles. Nem nos romances eles são poupados, que o diga George Orwell.



Quem deve ter ficado feliz com a nova "pandemia", além da imprensa sensacionalista de inspiração estadunidense, como a nossa, foi a indústria farmacêutica. Ontem mesmo, no Jornal Nacional, apelou-se para que a população parasse de se medicar por conta própria devido à gripe H1N1 influenza A. Não existia, até ali, nenhum caso registrado na América do Sul inteira (hoje é que apareceu a primeira suspeita, pelas bandas de alguma montanha peruana). Mesmo assim, acabaram com o estoque de anti-gripais no Rio de Janeiro. Com relação aos porcos, mais uma vez o Jornal Nacional se calou.


Muito bem. Cada um que arrume seu jeito de sair da crise, ou de fechar de vez com as fronteiras mexicanas, especialmente as do norte. No final, não passa de mais uma história de porcos e de chiqueiros, de grandes interesses financeiros, de supérfulos motivos para segregar... Estas sim, verdadeiras "pandemias" que o homem não se cansa de produzir, e que a humanidade não se cansa de enfrentar...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

22 de abril - Dia do Planeta Terra

Uma homenagem carinhosa do Governador Arruda ao nosso Planeta

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Enquanto isso, no País dos Retardados...

... A MAIORIA SEMPRE VENCE!!!

sábado, 4 de abril de 2009

Parabéns, Internacional

Não entro no mérito do interesse do leitor sobre o tema, nem no mérito do próprio tema. Isto é irrelevante. O propósito deste post é absolutamente egoísta e mesquinho. Quero deixar um registro pessoal para mim mesmo! Este se trata de um espaço onde exponho meus pensamentos, o que me oferece tal prerrogativa.

Sou colorado e hoje o Sport Clube Internacional completa 100 anos. Em 1909, um tal de Henrique Poppe Leão e seus irmãos, José e Luís, resolveram fundar um clube de futebol, pois os então existentes em Porto Alegre eram fechados para "estrangeiros", especialmente os "não-germânicos". Negros e operários, nem se fala. Henrique foi comerciante, mas era também jornalista. Escrevia para diversos jornais, dentre os quais um tal de "Jornal Exemplo", relacionado à cultura negra. Estes jornais foram praticamente "esquecidos" pela historiografia oficial, mas eram diversos naquela República ainda recente. O Internacional, com certo ideário inconformista, libertário e ecumênico, a contar por seu próprio nome, desde sempre teve suas portas abertas a quem fosse, tanto que dois negros já assinavam sua ata de fundação.

Não por acaso, foi o primeiro clube gaúcho (e pioneiro também em termos nacionais) a aceitá-los em seu plantel, selecionados que eram da "Liga da Canela Preta", campeonato extra-oficial organizado pelos negros porto-alegrenses, que se negavam a deixar de praticar o nobre esporte bretão. Somente nos anos 1920 o Inter começou a remunerar seus atletas, o que atraiu os craques da "Liga" para o Clube. Na época, a marginalização social deles e de outros grupos era ainda maior. Mas não com o Colorado. Somente o Inter os recebia. Impulsionados por seus representantes nas equipes, os torcedores que ocupavam as regiões mais humildes da capital se viram atraídos para o Inter, que recebeu na época a relevante alcunha de "Clube do Povo", que orgulhosamente ostenta até hoje. Também nos chamavam de "clube dos negrinhos", e, adaptando o pensamento racista gaúcho para os dias atuais, ainda nos chamam lá pelo sul de "macacos". Sem problemas. Somos internacionais. Somos plurais. Somos tudo isso mesmo, com muito orgulho.

Nos anos 1940 o Clube contava com um elenco formidável, que formou o inesquecível "Rolo Compressor". Na época, no antigo Estádio dos Eucaliptos, o time contava com um torcedor famoso, chamado Charuto (foto). Charuto era um negrinho que, conta-se, vivia de biscates no porto de Porto Alegre. No Inter era ilustre. Não pagava ingressos. Sentava na primeira fila, onde assistia as inesquecíveis vitórias invariavelmente bêbado, bradando tenazmente "Cororado! Cororado!" para quem ousasse chiar contra o Clube nas arquibancadas. Ainda nos anos 1940, e por razões que jamais saberemos, Charuto levou uma facada nas cercanias do Mercado Público de Porto Alegre. Morreu assim, viveu como pôde, mas foi enterrado como príncipe, quando seu ataúde foi carregado pelos jogadores colorados devidamente fardados.

Nos anos 1960, o Clube recebeu da Prefeitura um pedaço de água nas margens do Lago Guaíba. A começar pelo esforço em aterrar o "terreno", contando com a força de um sentimento muito popular, começou a erguer seu atual Estádio, o Gigante da Beira-Rio. A obra era deveras custosa, e parecia interminável. Depois de muitos anos e contando com o apoio de sua torcida, que doava o que podia, areia, cimento, tijolos... conseguiu inaugurar uma nova era, também inesquecível.






São muitas histórias que me fazem estar ligado a este sentimento de ser colorado, que significa, dentre muitas coisas, a estabelecer fraternidades sem preconceitos ou pré-requisitos. Grande parte dessas histórias sequer vivi, como estas que preferi recordar agora. Ser colorado significa outra coisa. Não se relaciona com a crítica fugaz do esporte como alienação. Está acima destas coisas. É um elo com a terra onde nasci. Com meus familiares e comparsas, colorados ou não. Faz parte da raiz de minha identidade. Provoca-me orgulho e satisfação, em um mundo tão carente de alegrias e tão demandante de deliciosas alienações.

quinta-feira, 19 de março de 2009

A mendicância nos esportes brasileiros

Os dois esportes mais importantes na preferência dos brasileiros são o futebol e aquele outro que estiver ganhando.

Vôlei, tênis, natação, basquete, automobilismo (que muitos insistem em considerar um esporte) e até a ginástica chegaram a ocupar esta posição tão privilegiada. Basta estar ganhando. Com as vitórias aparecem investimentos, patrocínios, visibilidade. Em suma, aparece o interesse dos brasileiros.

Mas a preferência por estes esportes é sazonal, assim como são as suas conquistas. O vôlei, por exemplo, consegue se manter por mais tempo como "segundo esporte" dos brasileiros porque tem ganhado com mais frequência. Só por isso. Esportes olímpicos, como a ginástica, se tornam interessantes para nós apenas de quatro em quatro anos, e somente quando nos convencem que ali reside alguma esperança de medalha. Contudo, infelizmente não fomos criados para sermos campeões olímpicos. Não sei o que acontece. Só sei que é assim. Inclusive com o futebol, acredite quem quiser.

Conseguimos formar uma equipe de ginástica competitiva nestes últimos anos. Nossas ginastas (e aí incluo o Diego Hipólito) foram campeãs dos mais diferentes torneios e competições internacionais. Mas sabemos todos que nenhum destes títulos tem alguma importância. Perto de uma medalha olímpica, nenhum se torna digno de lembrança.

O que lembramos bem, como típicos brasileiros que somos, são os "nossos" fracassos. Recentemente, nenhum deles foi mais retumbante do que a de nossas ginastas em Beijing (e aí incluo novamente o Diego Hipólito). Jade Barbosa foi a imagem de nosso complexo de "vira-latas" - parafraseando Nélson Rodrigues. Na época, lembro-me bem, não sei se sentia pena ou vergonha ao assitir a choradeira da atleta brasileira diante de seu fiasco na competição. Alguns me dirão que pela primeira vez uma equipe brasileira chegou às finais, etc. Por favor, poupem-se do trabalho de mencionar tais cretinices. Isto não significa absolutamente nada.

Nossos atletas olímpicos de "ponta" precisam da ajuda do governo para sobreviver. Muitos recebem a "bolsa-atleta" no valor de 2.500 reais. Nada mal, se levarmos em conta que a bolsa para alunos de doutorado no país vale 1.800. Mas Jade Barbosa talvez nem isso receba, pois tem contrato com um clube, o Flamengo, do qual também não recebe ajuda médica. Assim como não recebe da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG).

Por isso, em busca de recursos para tratar uma lesão grave no punho direito, a ginasta decidiu pedir a ajuda dos fãs, vendendo camisetas e outros artigos esportivos em seu site. O modelo feminino Pequim-2008 custa R$ 25,00, enquanto as demais camisetas estão à venda por R$ 49,90.

Recomendo à Jade que esqueça seu punho e utilize o dinheiro arrecadado dos otários que contribuírem para pagar uma faculdade ou investir em alguma outra coisa, enquanto ainda haja tempo. E, aos deuses do Olimpo, agradeço que depois dos Jogos de 1920, na Antuérpia, nossa equipe de tiro não tenha ganho mais nenhuma medalha para o país.

terça-feira, 17 de março de 2009

Um Circo com vários palhaços


Hoje teve chilique nervoso do deputado do PSOL, Ivan Valente. Ao falar na tribuna que a governadora do Rio Grande do Sul havia cometido irregularidades, o deputado Darcisio Perondi gritou que era mentira. Ivan Valente logo fez jus a seu sobrenome:


"Cala a boca, seu palhaço! Tem um Deputado na tribuna. Cala a boca, seu palhaço! Cala a boca, seu palhaço! Não lhe dei a palavra. Que negócio é esse? Tem um Líder falando aqui. O senhor me respeite. O senhor me respeite"


Concordo com Ivan Valente. Darcisio Perondi é um palhaço. A governadora do Rio Grande do Sul é palhaça. O próprio Ivan Valente é um palhaço. Se não o fosse, não seria deputado. Aliás, o seu colega de partido, o deputado carioca Chico Alencar, arauto da reputação ilibada, terá que explicar por que gastou mais de 50 mil reais da verba parlamentar com supostas consultorias ambientais em 2008. O dono da consultoria, que fica no Ceará, é o ex-deputado do PSOL, João Alfredo.


Obviamente João Alfredo teve muita verba pra conseguir se eleger vereador em Fortaleza. E Chico Alencar, por sua vez, nunca apresentou um requerimento sequer sobre meio ambiente. Aquele balcão de negócios (Plenário da Câmara), estava repleto de palahaços. E os palhaços mor (nós) são aqueles que os elegeram.

Clodovil morreu! Os deputados mataram o Clodovil!


Tá tudo bem. Ele nem era muito bem um deputado. Mas tentava ser. O estilista Clodovil Hernandes faleceu após um AVC. Menos um deputado. Ficaria feliz se no lugar dele não entrasse nenhum outro. Mas vai. E da pior espécie. Um tal de Coronel Paes Lira, ou coisa assim. Além de coronel, o policial, do alto dos seus míseros 7 mil votos (isso dá menos 5 meses de audiência deste blog), vai utilizar a alcunha de deputado. Desgraça pouca é bobagem.

Voltamos a morte de Clodovil. Mais uma vez, os deputados mataram seus pares antes da hora. Apressadinhos anunciam a morte dos colegas em Plenário enquanto eles ainda estão vivos. Isso aconteceu com o deputado Ricardo Fiúza, quando anunciaram 2 dias antes a sua morte. Aconteceu esse ano com o deputado Adão Pretto. Este foi pior, senadores fizeram discursos emocionados em homenagem ao morto (até então ainda vivo). Agora foi com Clodovil. Meio sem jeito, o deputado Ernandes Amorim anunciou a morte de “um colega”. Ao fundo, ouvia-se os risos contidos. O presidente da Câmara anunciou que a morte era só cerebral, o corpo estava sendo mantido por aparelhos para que fossem extraídos os órgãos. Assim, Michel Temer frustrou as expectativas dos deputados em suspender a sessão e encerrar mais um dia sem trabalhar. “Seria uma falta de respeito nossa estar havendo sessão se ele tiver morrido”, bradou o deputado Carlos William.

Nisto, seguiu uma declaração patética do relator da Reforma Tributária, o deputado Sandro Mabel (dono da fábrica de bolachas que leva seu sobrenome):

Realmente teve morte cerebral. Logicamente é irreversível. A morte ainda não foi anunciada, porque o Clodovil é doador de órgãos e os médicos ainda o mantém em estado cerebral ativo. Então, não se pode anunciar a morte antes de ela realmente acontecer.

Não entendi o deputado Mabel. Ele acredita que pode haver morte cerebral com o cérebro ativo? Tudo muito confuso, assim como todas as coisas que acontecem naquele balcãozinho de negociatas que chamam de Congresso Nacional.


De Clodovil, só restou meia dúzia de polêmicas. Dentre as notórias, foi o fato de gastar 200 mil reais pra reformar o seu gabinete de 30 metros quadrados. Dane-se, o dinheiro era dele. Também houve o episódio com a deputada Cida Diogo. Clodovil disse que ela era tão feia que não servia nem pra ser prostituta. Até hoje não sei se Clodovil insultou a deputada a chamando de feia ou insultou as prostitutas, relegando-as a um nível abaixo dos deputados. Fico com a segunda opção.



Cida Diogo absorveu o insulto e entrou em um regime que a fez perder 15 quilos. Clodovil, do alto de seu salto, respondeu a uma jornalista sobre o fato: "Eu a chamei de feia, não de gorda!"


O Coronel suplente não quer saber de história. Comemorou a morte de Clodovil com tiros pro alto. Quase 500 mil votos jogados no lixo...

terça-feira, 10 de março de 2009

Poesia de Guerrilha (II)


Amostra sem valor


Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.


Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.


Eu sei que as dimensões impiedosas da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.


António Gedeão

O que diziam as Revistas Femininas nos anos 1940-60?

- A desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa. (Jornal das Moças, 1945)
- O noivado longo é um perigo. ( Revista Querida, 1953)

- Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu. ( Revista Querida, 1954)

- O lugar de mulher é no lar . O trabalho fora de casa masculiniza. (Revista Querida, 1955)

- A esposa deve vestir-se depois de casada com a mesma elegância de solteira, pois é preciso lembrar-se de que a caça já foi feita, mas é preciso mantê-la bem presa. ( Jornal das Moças, 1955)

- Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas. ( Jornal das Moças, 1957)

- É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido. (Jornal das Moças, 1957)
- Se o seu marido fuma , não arrume briga pelo simples fato de cair cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa. ( Jornal das Moças, 1957)

- A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, nada de incomodá-lo com serviços domésticos. ( Jornal das Moças, 1959)

- A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar uma mulher por não ter resistido às experiências pré-nupciais, mostrando que era perfeita e única, exatamente como ele a idealizara. ( Revista Claudia, 1962)

- Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto. (Revista Claudia, 1962)

domingo, 8 de março de 2009

Carta às Mulheres

Mulheres,

Hoje a humanidade celebra vossa data. Isto porque neste dia, em 1857, algumas de vocês eram tecelãs de uma fábrica em Nova Iorque e decidiram fazer uma greve. Reivindicavam trabalhar somente 10 horas, ao invés das 16 diárias. Também queriam ganhar o mesmo que seus colegas homens, já que recebiam menos de um terço pelo mesmo serviço prestado.
Para piorar, também queriam ser tratadas com mais respeito, como mulheres que eram. Do alto de seu fálico castelo, algumas pessoas resolveram trancá-las dentro da fábrica e queimá-las. 130 de vocês morreram como rezava a tradição inquisitorial. Esta vocês também conheceram bem. Em 1910 decidiram pela data para homenageá-las, mas a ONU homologaria a universalidade do feriado somente em 1975.

Lembrei hoje do assunto da fábrica, algo inevitável todos os anos, devo admitir. Como homem, fico a pensar como a humanidade tem sido cruel com vocês. Fábricas, inquisições... Pouco se comparado aos feminicídios que se veem todos os dias, e em cada letra da História conhecida. Fora o que não escreveram. Realmente deve ser difícil ser mulher, e viver como tal em um mundo tão falocêntrico como o nosso.

O que não entendo é como vocês deixaram isso acontecer. Afinal, vocês possuem o maior poder existente na Natureza, o de gerar a vida. São as mães, aquelas imediatamente próximas à construção primeira da mentalidade humana. Inclinada pela natureza das coisas, a própria humanidade espera de vocês tal proximidade. E te sufoca por isso, já repararam?

Ao contrário do que pode supor a leitura rápida, não as culpo de nada, mulheres, como também não culpo nossa antepassada remota que soçobrou ao poder masculino, e criou seus filhos assimilando e aceitando viver sob as regras ditadas por aquilo que há de pior desta essência. Talvez ela não teve escolha, como gerações não tiveram. Mas, e agora? Os tempos mudaram ou, quem sabe, estão mais propícios para as verdadeiras mudanças?


Naquele tempo imemoriável, quando o masculino prevaleceu sobre o feminino, cometemos nosso maior erro. Hoje em dia se fala muito em equilíbrio, mas tenho medo que a noção seja demasiado utópica, acabe por se mascarar e subsumir perante a ardileza da grandiloqüência masculina. Por isso, voto pelo poder feminino. Tentemos uma só vez. É melhor que sua essência domine o mundo. Já tivemos tempo de sobra para provar do fracasso de Logos e da Testosterona.

Vocês sempre tiveram o Poder.

Como mães, avós, filhas, amigas, amantes, não importa. Usem-no e ajudem-nos.

Em nome da Terra, subscrevo-me,

Sniper.

Sobre Comunas e Comunalidade


"Há... o que existe de mais valioso para um ser humano: fazer uma diferença no lugar onde se vive, ser camarada entre os que nos rodeiam, colaborar com a construção, em torno de si, de um mundo de iguais, porque somente aqueles que são iguais podem realmente prodigar-se mutuamente o sentimento amoroso e comunal.

Aclarando que comuna e comunalidade distinguem-se com força das confrarias, dos clubes e corporações, que tanto dano fazem hoje às instituições e à vida pública. Pois a comuna dos que lutam por um mundo melhor, igualitário e generoso para todos, é uma pátria benigna e acolhedora para quem dela se aproxima; uma pátria vital, criativa, livre e libertária. Nada pode assustar a quem se encontra enturmado numa rede assim, de pessoas que sonham e ousam inventar formas novas de felicidade. Não tem maior diversão que dedicar-se a imaginar um mundo mais ameno, e tentar trazê-lo à prática, ainda que seja aos tombos e tropeços".

Foi Rita L. Segato quem o disse.

A Igreja Católica é uma piada... e de mal gosto

Ela é apenas uma criança. De nove anos. Pesa 33 kg e mede 1,36 m. Vive em Alagoinha, a 230 km de Recife. Lá, era estuprada desde os seis pelo padrasto. Ficou grávida de gêmeos. Os médicos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) constataram que a vida dela corria perigo e retiraram os fetos, interrompendo a gravidez na 15ª semana. Após o aborto, na quarta-feira, “ela ficou brincando com a boneca e o ursinho. Não sei se entende o que passou” – disse o diretor da Maternidade, Sérgio Cabral.

Quem, com certeza não entendeu nada, foi o já aposentado arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, de 75 anos. Ele tentou convencer o pai biológico e a mãe da menina a desistirem do aborto. Fracassou. A Arquidiocese decidiu, então, que vai denunciar os pais da vítima ao Ministério Público, acusando-os de duplo assassinato. Sem chances, porque a legislação brasileira permite o aborto em vítimas de estupro até a 20ª semana de gestação e também no caso de ameaça à vida da mãe. De acordo com avaliação médica, o aborto é, portanto, duplamente legal.

O bispo, no entanto, está se lixando para as leis dos homens: “A lei de Deus está acima de todas as coisas e o aborto é um crime previsto nas leis de Deus”, diz, citando o Código Canônico, que em seu artigo 1.398 pune os que praticam o aborto com a excomunhão. Omite que não foi Deus, mas os homens que escreveram o Código e excomungou todos os adultos que participaram da operação: os pais da menina, os médicos, o motorista da ambulância, o transportador da maca, as atendentes, os enfermeiros que esterilizaram os instrumentos cirúrgicos, as representantes de ongs em defesa da mulher, enfim todo mundo, menos o pedófilo e estuprador do padastro: “Esse padrasto cometeu um crime enorme – admitiu – mas não está incluído na excomunhão. Ele cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente”, explicou.

A excomunhão, que é a pena máxima da igreja, condena ao fogo do inferno pessoas misericordiosas, que tiveram compaixão com o sofrimento dos outros, poupa o estuprador.

Para mim, que detesto grandes altitudes, ser excomungado significaria o mesmo que receber uma carta da NASA informando-me que não me aceitam como astronauta. Mas, e para aqueles aculturados nas tradições cristãs e católicas? A religião, que deveria servir de consolo, neste caso consegue produzir mais sofrimento, no mínimo psicológico, para as vítimas e para aqueles que lhe estenderam a mão.

É um absurdo. Revolta mais saber que o caso não é isolado. O bispo pernambucano apenas seguiu a tradicional cartilha de Roma, ultrapassada, inquisitorial, que luta contra a modernidade dos tempos, o bom senso e tudo aquilo que tomamos como Justiça dos homens e dos Deuses.

*Agradeço ao texto de José R. B. Freire "A menina, o bispo e nós" pelos fatos expostos. Seguimos lutando por um mundo de consciências mais livres!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A Justiça Divina tarda, mas não falha: Sergio Naya Empacotou!


Prezado Deus,

Certa vez eu questionei a justiça divina. Domingo faria 1 ano deste meu protesto. Naquela feita, bradei neste blog:

“Não só a justiça dos homens, mas a Justiça divina também poupa Sérgio Naya. Ele só sofreu dois AVC’s e também sofre de gota.”

Venho por meio desta cartinha me redimir com você. Soube que a poucas horas Sergio Naya foi encontrado morto em um quarto de hotel na Bahia. Enfarto, ok, deve ter sido rápido, sem sofrimento. Mas ta morto. Vai comer grama pela raíz. Sérgio Naya, o homem que não tomava champagne em taça de pobre, espero agora que brinde com o capeta.

Amém!

http://guerrilheirosdoplanalto.blogspot.com/2008/02/homenagem-srgio-naya-um-brasileiro.html

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Por uma Brasília melhor

Ao invés de gastarem fortunas com obras desfuncionais do centagenário Niemeyer, como torre de tv e unicórnio de 100 metros de altura, o governo deveria aceitar minha sugestão de intervenção arquitetônica na Capital. Inclusive o projeto seria interessantíssimo para o GDF, Governo Federal e suas empreiteras enriquecerem mais do que com a Copa do Mundo que se avizinha. Côrte brasiliense, vocês estão diante de uma extraordinária oportunidade de enriquecer mais, e o melhor: construindo algo realmente útil para a população candanga.

Costão do Paranoá e Praia da Esplanada serão divinos...
















sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Luana Piovani precisa apanhar (II)


Depois eu falo e ninguém acredita*.
Nesta semana o Ministério Público do Rio apresentou denúncia contra o ator Dado Dolabella, suspeito de agredir a camareira Dona Esmeralda de Souza , de 62 anos, que trabalha com a atriz Luana Piovani, sua ex-noiva, que também já apanhara em outras oportunidades deste estrupício humano.
A camareira, que tem apenas 42 kg, precisou ser levada a um hospital, onde imobilizou os dois braços devido à agressão do playboy que ficou um tempo desaparecido, até se apresentar à justiça acompanhado de seu caríssimo advogado Michel Assef Filho, ligado ao Flamento e ao STJD**.

Os namoradinhos deviam se "divertir" muito em casa, tanto que o MP também intimará a atriz. Se Luana precisava apanhar, o que desejar para este boçal apedeuta?

* http://guerrilheirosdoplanalto.blogspot.com/2008/11/luana-piovani-precisa-apanhar.html

** Escapista mostrou que a prática é recorrente dentro da espécie. Para entender mais bem seus desdobramentos, conheçam a história de Doquinha:

"Bom senso não é tão comum"



Já expressei em outras postagens minha desconfiança com relação ao presidente pop-star Barack Obama:



Entretanto devo admitir minha grata surpresa com o exercício de seu primeiro dia de mandato, quando Obama ordenou a desativação da vergonhosa prisão militar e academia de torturadores de Guantánamo, além de ordenar a imediata revisão de todos os processos dos detentos, que poderão emigrar para países europeus.

Também assinou outro decreto impondo aos Estados Unidos à conformação às convenções de Genebra e ao manual do exército de lá no tratamento dos prisioneiros que proibe práticas de tortura em interrogatórios e pediu nesta quinta-feira à sucursal Israel que abra os postos de passagem nas fronteiras de Gaza para que possa entrar a ajuda humanitária e fluir o comércio. Ademais, nomeou como representante e negociador do governo no Oriente Médio o ex-senador George Mitchell, autor de um livro intitulado "Making Peace"!

Mesmo assim, continuo desconfiado: Obama aproveitou para pedir "paciência" com relação à ocupação beligerante estadunidense no Afeganistão, pois a situação é "perigosa" e "vai levar tempo para melhorar".

Vamos ver até quando isso dura. Vou ficar de olho em você, Obama. Como se eu tivesse escolha...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Vamos organizar a Suruba!


Com vocês, Marcelo Tas, o professor Tibúrcio do Castelo Rá-tim-bum, embandeirando na entrevista da revista Playboy deste mês, uma velha plataforma dos Guerilheiros:


[...] O Brasil é uma espécie de grande bordel. A palavra “brasileira” na Europa não é um substantivo, é adjetivo. E quer dizer “eu sou puta”. [...] Os gringos chegam ao Brasil e já no aeroporto passam a mão na bunda da policial federal gostosa! [...] O cartão-postal mais vendido no Rio de Janeiro é um de quatro ou cinco mulheres de costas!! Duvido que elas recebam royalties por isso. Então o que eu defendo é: vamos regularizar a situação do bordel. Vamos pagar royalties pras aquelas meninas do cartão-postal, organizar os pontos onde elas ficam, vaciná-las, distribuir camisinhas...Seria uma maneira de a gente deixar de ser hipócrita! Vamos organizar a suruba! [...] Pra mim, isto aqui já é um bordel. Você vai ao Congresso Nacional, que é um lugar que eu respeito, e existe um cardápio de meninas![...] Existem garçons de prostitutas dentro do Congresso! [...]


Excetuando a parte do "Congresso Nacional, que é um lugar que eu respeito" (não, nós não respeitamos), defendemos todas as letras desta campanha. Legalizem a Suruba já!


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A arte da ignorância

A arte de ser brasileiro é a arte de não aprender. Somos ignorantes por natureza. Nós nos recusamos a aprender. Não aprendemos nem por repetição. Esta é a nossa sina. Aqui, quem lê meia dúzia de livros meia bocas ao ano já está anos luz dos outros ignóbeis e aptos a galgarem títulos de doutores e ocuparem cátedras universitárias. Seria engraçado, se não fosse verdade. Fechem o Ministério da Educação! Não serve pra nada. É só mais um engodo na Esplanada dos Ministérios. Estamos fadados e disputar e obviamente perder para as mulas o emprego de puxadores de carroça. Se você pensa como brasiliense, também pode prestar um concurso público. Dá na mesma.

 

Parem de gastar papel com livros didáticos. Joguemos todos os livros de História fora. História no Brasil não serve pra nada. A gente não aprendeu nada com o desabamento do Osasco Shopping; com desabamento do prédio de areia do Sergio Naya*; com o desabamento do metrô de São Paulo; desabamento da Fonte Nova, estádio do Bahia e também não iremos aprender nada com o desabamento da Igreja Renascer. É assim mesmo. O Brasil é um país que desaba enquanto a massa bovina fica admirando, boquiaberta. Das histórias de desabamento, o que se pode aprender, é que ninguém foi punido. No caso da Igreja, ninguém será punido também. Daqui um mês e um laudo fajuto, ninguém mais fala nisso. As fatalidades acontecem na mesma proporção da liberação de certidões de “Habite-se” feitas nos subterrâneos melequentos das prefeituras.  


Caminhando e desabando o brasileiro senta e espera mais uma Copa do Mundo. A justiça desaba junto com as nossas edificações, sobrando só o fétido cheiro da impunidade e dos cadáveres.

 

* http://guerrilheirosdoplanalto.blogspot.com/2008/02/homenagem-srgio-naya-um-brasileiro.html

"Renascer": uma noção vaga, pueril e irreal







O casal fundador da Igreja Renascer em Cristo, Estevam e Sônia Hernandes (que merecem chifres ao invés de narizes de palhaços), cumprem pena domiciliar em sua luxuosa mansão em Miami, avaliada só ela em mais de dois milhões de dólares, por evasão de divisas (agora ele está na cadeia por 140 dias, depois será a vez dela). Não que eles devam sentir muita falta do Brasil, já que por aqui o governo brasileiro pediu a extradição do casal, suspeitos pelo Ministério Público de que o dinheiro das doações dos fiéis seja desviado para empresas particulares de propriedade dos dois*. Diretamente de sua prisão-mansão, o casal enviou a seguinte nota com relação ao desabamento do teto de sua sede mundial, que feriu quase duzentas pessoas e vitimou nove mulheres, destas, sete idosas:

"Estamos todos absolutamente consternados, tristes e pasmos com a tragédia que nos abateu neste domingo, ceifando vidas, ferindo pessoas, trazendo tanto horror. Mas temos que ser firmes, cada vez mais fortes, unidos, para superarmos. Nós temos Jesus Cristo que nos deixou o Consolador, o Espírito Santo. Essa mensagem agora deve trazer esperança e a confiança. E ser viva dentro de cada um de nós. Acima de tudo, nós oramos e pedimos ao Espírito Santo que console o coração de cada um. Nós acreditamos na eternidade com Cristo. As pessoas foram colhidas por Deus. Nós cremos naquilo que a Bíblia nos fala em Filipenses 1:21: 'Para mim o morrer é ganho e o viver é Cristo'. E acreditamos no Salmo 116:15: 'Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos'. Foi uma grande fatalidade o que ocorreu. Não sabemos o motivo. Mas há de haver um propósito para tal sofrimento. Nosso coração está enlutado, sofrendo muito, pelas vidas, pelas vítimas, pela situação, pela calamidade. Esperamos que em Deus possamos ter o entendimento e o conforto desta enorme tragédia. Esperamos que Deus possa enxugar nossas lágrimas com milagres. Nossas orações, nosso amor, nossa solidariedade. Que Deus possa nos abençoar e trazer essa renovação de consolo e esperança, de fé, de forças. Queremos agradecer por esses laços de fraternidade e solidariedade que unem todos os irmãos nessa hora tão sofrida".

Traduzindo mais esta blasfêmia: "estamos cagando e andando para vocês e mais do que nunca necessitamos do seu dinheiro para retomar a obra de Deus".

Não tome o jogador Kaká como exemplo. Os fiéis dessas igrejas são pessoas muito humildes, e, ao que parece, suas vidas valem menos do que suas suadas moedas que sustentam tais projetos megalomaníacos e gananciosos. A publicidade deve estar sendo terrível para a família Hernandes, mas, infelizmente, isto não serve de consolo para ninguém. Que o diga as famílias das vítimas, para quem a expressão Renascer agora não passa de uma noção vaga, pueril e irreal.
* Segundo nota do Supremo, os crimes pelos quais respondem - lavagem ou ocultação de bens e valores - “não estão abrangidos pelo Tratado de Extradição assinado entre Brasil e EUA”.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Conheça o final da novela "A Favorita" (ou, "Descortinando A Favorita")


Peço licença aos leitores habituais. Este post se destina preferencialmente a você que perde seu tempo procurando notícias na internet sobre assuntos como a novela A Favorita. Inclusive, escrevi este título pensando na possibilidade você nos encontrar no google. Bem, vou aproveitar sua nobre audiência para comentar sobre esta extraordinária trama.


A novela, que teve a pior média de audiência da década dentre as estréias, virou o jogo e agora bate recordes de audiência por ter conseguido "revolucionar a linguagem da teledramarturgia nacional"*. Insatisfeitos com os índices negativos, a direção do núcleo apertou o jovem autor João Emanuel Caneiro para inventar alguma coisa. Entediado e sem saber o que fazer, provavelmente João acendeu um** antes de se atirar no sofá para rever seus dvd's de Lost. Eureca! Habemus revolutione!


Mas o metodólogo Thomas Kunh não concordaria com isso. Para ele, a revolução é como uma "quebra de paradigmas". Então, não teve revolução nenhuma, porque não teve "quebra de paradigmas". Nesses termos, parece que o aperto da direção do núcleo foi maior, "sugerindo" ao autor a retomada do velho e pérfido discurso moralista cristão, tão ao gosto da população média brasileira quando devidamente transfigurado em "temas polêmicos" que se propõe estabelecer um debate mais profundo dentro da sociedade nacional.


Ah, façam-me o favor! Orlandinho, o gay, sofre um verdadeiro processo de "cura" a partir de sua "natural", pois que não desejada - portanto "orgânica", "natural", "normal" - masculinização. Aliás, algo que não por acaso lhe causa pressões e sofrimentos psicológicos terríveis. Stela, a versão homoafetiva feminina da trama pretende a imagem da mulher cool, bem-resolvida e independente, mas no fundo se trata de uma solteirona infeliz, melancólica e, não por acaso, perseguida pelo pensamento machista herdado de nossa matriz patriarcal rural que, como se percebe, falsamente se pretende criticar na trama. Surpresa por surpresa, se no final Catarina resolver se acertar com Stela, não se supreenda se a paixão entre elas não se consumar em um ardente "beijo de novela". Jamais apareceu um beijo de língua homoafetivo numa novela da Globo.


Exagero meu? E quanto à Dedina, a mulher adúltera? O que mais esperar de tal comportamento senão um final infeliz? Aliás, bota infeliz nisso: literalmente, fizeram a mulher definhar até a morte. Em seu agonizante e desproporcional fim, ela se arrepende e pede perdão tanto ao marido, quanto ao amante!!! Lembram o que ela disse antes da agonia final? " Desculpem por eu ter arruinado a vida de vocês"!!!


Político que se arrepende, confessa seus crimes e vai com gosto para cadeia, depois que o meliante com quem acabara de negociar armas acerta por acaso sua filha na rua , só na televisão mesmo. Naturalmente, Taís Araújo não morreu, mesmo porque, ao contrário de Juliana Paes (assasinada no início da trama), não pretendia um papel maior na próxima novela das oito (ou não foi capaz de consegui-lo). A "surpresa" foi o colarinho branco da vez ser negro. Mas as inversões são totalmente propositais, e não "naturais", como realmente devia valer. Vide a angelical vilã Flora e a rude heroína Donatela. Como se não bastasse, a fugitiva da polícia (Diva/Rosana) também prefere os braços da lei e da "justiça" brasileira ao invés da monótona vida bucólica da qual desdenhou.


E o tema do incesto? Já imaginou? Se imaginou, foi por pouco tempo, pois o mistério acerca de tema tão cristão não podia durar muito, e tudo foi rapidamente "esclarecido": "Harley Mateus" nunca foi irmão de "Lara Fontini"! Assim como você nunca será livre. Portanto, pare de perder seu tempo com novelas e blogs inúteis. E poupe-me deste seu fugaz interesse: até parece que você, lá no fundo, já não sabe qual será o final.


* Fonte: qualquer jornaleco brasileiro disponível online.

** A inspiração cannabica aparece representada em personagens como o alterego raul-seixasiano Augusto César, bisonhamente interpretado por José Mayer.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Perguntar Ofende?


"A luz do sol é o melhor dos desinfetantes" Louis Brandeis (1856-1941).

 

Qual o interesse da Câmara Municipal de Goiânia não ter página na Internet?

Por que a página   http://www.camaragyn.go.gov.br   é fictícia e nunca funciona? 

O que faz a edilidade da capital de Goiás que não pode ser publicizado?

 Como diria o Blog Chapa Branca, o que acontece naquele “balcãozinho de negócios”?

Como votam, quem empregam, quanto custa e o que fazem os vereadores de Goiânia?

Por que a Câmara Municipal de Goiânia se porta como se estivesse em uma cidade de quinta categoria, menos transparente que Itajubá, Cravinhos, Descalvado ou Itabirito...?

Gari Negro Job`s, use a verba de gabinete pra consertar essa bagaça! Queremos ficar no encalço do seu mandato. 

Doca Street: Memórias de um Cárcere Playboy

Setembro de 2006 e R$ 39,90. O preço da livraria escrito a lápis e a data em que comprei não foram apagados. Olhando pra estante, puxo mais um livro que não terminei de ler. Afirmo com poucas chances de falhar que foram os R$ 39,90 mais mal gastos em minha vida desde então. O título é “Mea Culpa”. O autor, um playboy: Doca Street. Doquinha (como era chamado pelos amiguinhos playbas) assassinou a tiros uma das mulheres consideradas mais belas do país, Ângela Diniz, uma socialite caça-tesouro$.

O livro é bestial, piegas e ruim, um pecado mortal ser homônimo do “Mea Culpa” de Céline. Obviamente Doca Street, hoje um sectagenário, nunca leu Céline. As vezes penso o quanto seria bom que eu fosse preso, assim como Doquinha. Moraria e comeria as custas do Estado, e de quebra, teria alguns anos pra ler o que eu quissesse, com direito a "banho de Sol", privilégio que não desfruto com a bunda sentada numa cadeira de escritório.

Doquinha deixou mulher e filho pra ficar com Ângela Diniz. Após uma briga, Doca Street matou Angela com quatro tiros em Búzios. Doquinha fugiu e foi preso. Condenado a 15 anos em seu segundo julgamento, após 2 anos e meio, já estava em liberdade provisória. No primeiro julgamento, amparado por um dos criminalistas (Evandro Lins e Silva) mais caros do país, Doquinha saiu em liberdade com a tese de legítima defesa da honra. Doquinha conta em seu livro o quanto não foi fácil pra ele conviver com este episódio.

Parei de ler na página 50. Faltou 420. O livro não estava fazendo valer as árvores utilizadas para fazer o papel. Na terceira página, Doquinha, como todo palyboy inconsequente sem a mínima noção de justiça, após matar Ângela, bebeu uísque, fugiu pra casa de amigos, cochilou e no dia após o crime já estava nadando em uma piscina, como se nada pudesse alcançá-lo. Doquinha ainda almoçou com a família, fato que ele descreveu como momento alegre que lhe trouxe paz.

No outro dia, a mãe* de Doquinha já apareceu com uma equipe de dois advogados, dois psiquiatras e um analista para o filhinho. “Coitadinho dele, brigou com a namorada e foi obrigado a encher ela de bala” – deveria pensar a velha em retardo já avançado. Nas próximas páginas, tem um incontável número de sobrenomes – Soares; Matarazzos; Júniores e outros cúmplices. Tenho que tirar o chapéu para esta capacidade nominal de memorização dos playboys. O interessante é que, até então, sem dizer o nome ou sobrenome de nenhum, o escritor Doca já passou por três porteiros, dois jardineiros, um motorista e outras 5 camareiras e empregadas domésticas da chácara onde ele se escondeu. Em um exercício literário, Doquinha ainda tenta descrever os dois seguranças-capangas contratados para ajudá-lo a fugir:

“...dois homens que eu nunca vira...o primeiro era um gordinho bem moreno...o outro parecia um índio, bem magrinho. Parecia perigoso”.

Ótimo! Ele mata a namorada, vai tomar uísque, cochilar e nadar na piscina, e o perigoso, pra ele, é o segurança índio que vai ajudá-lo. Fico pensando com quantas copeiras, faxineiras, seguranças, camareiras e motoristas se faz um Doca Street da vida. Os Playboys não amadurecem. Morrem imaturos. Doca escreveu o livro aos 71 anos e continua Doquinha. Vai morrer Doquinha. Ele matou a namorada aos 45 anos com a maturidade de um pré-adolecente problemático. Doquinha's, Jorginho's Guinles, Chuiquinho's Escarpa's** e Alexandre's Nardoni's não envelhecem. Nunca.

Dos R$ 39,90 que gastei, fico pensando que contribui pra mais um golinho do champagne de Doquinha. Esta noite terei pesadelos...

*Os pais dos playboys, que transformam as suas crias em sociopatas imbecis e imaturos pelo resto das vidas, também deveriam ser condenados por toda a merda que seus filhos fazem no mundo e que eles acobertam.

** Doquinha, Jorginho, Chiquinho...inhos e inhas...Reparem na insistência incidência de diminutivos na alcunha playboyziana. Seria uma mistura de complexo de Peter Pan com o de Édipo daqueles que se recusam a crescer e largar as tetas das mães?

domingo, 11 de janeiro de 2009

A Grama do Governador Arruda



Arruda plantou grama batatais em um canteiro de alguns metros quadrados. O plantio não ficou muito bom, ta tudo torto, parece que foi feito por um jardineiro míope. De qualquer forma, parabéns ao Governador Arruda por mais esta faraônica obra. O canteiro deve ter sido projetado por Niemeyer. As gramas devem ser mutações transgênicas de uma pesquisa milionárias da Embrapa para que elas nunca precisem ser podadas ou regadas.

Obrigado Governador! Ainda bem que contamos com verba pra publicidade suficiente para que sua administração seja divulgada. 

A propósito governador, pintaram o meio-fio da minha calçada e não vi nenhuma placa! Que mancada da sua equipe!!  

Outra vez, Niemeyer...


Abro o tablóide Correio Braziliense e tenho a triste informação que além da torre de TV Digital de 64 milhões de reais, Niemeyer agora fez um projeto de outra praça de cimento na Esplanada. Tudo muito velho, tudo muito caro, tudo muito inútil...De acordo com Niemeyer, a praça se chamará a “Praça do Povo” que paradoxalmente guardará a história de nossos ex-presidentes. Collor, Itamar e FHC estão lisonjeados. A praça terá um obelisco de cimento de cem metros de altura. O governador Arruda, antevendo mais uma oportunidade de desviar verba pública, já deu o veredicto sobre a nova obra: - Vamos Fazer!!

Enquanto isso, cada dia de vida de Niemeyer vai causando mais prejuízos a população. É bom relembrar uma velha aclamação. Morra Niemeyer!:

http://guerrilheirosdoplanalto.blogspot.com/2008/01/morra-niemeyer.html

Ao Citibank, com amor.

Desculpe, não reconheço esta informação. Por favor, tente novamente. Em caso de dúvidas, contate o CitiPhone Banking.
São Paulo e Rio de Janeiro : 4004-2484
Demais localidades : 0800-701-2484 - 0800-701-CITI.
Desculpe, não reconheço esta informação. Por favor, tente novamente. Em caso de dúvidas, contate o CitiPhone Banking. São Paulo e Rio de Janeiro : 4004-2484 Demais localidades : 0800-701-2484 - 0800-701-CITI.”

Querido Citibank, teço algumas observações sobre a mensagem acima:

1 – Não me admira que este banco esteja falindo.

2 – Gostaria de dizer que suas desculpas não foram aceitas.

3 – Se você não reconhece esta informação, muito menos eu. Eu não reconheço e ainda tiro a sua legitimidade de reconhecer as minhas.

4 – Já tentei novamente e não deu certo. Não adianta pedir por favor. Fiz porque quis e não por que você foi educado.

5 – Eu tenho várias dúvidas mas não to afim de perder meu tempo e minha paciência ligando para uma máquina. Se bem que prefiro a ignorância das máquinas que a dos homens.

6 – Moro em Brasília e não em Demais localidades. Este banco falido deveria saber que existem lugares além de Rio e São Paulo.

7 – A propósito, o sistema financeiro é tão burro que me enche de créditos. Breve juntarei todos os créditos de meus três bancos e de meus três cartões e vou sujar o meu nome como nunca um ser humano sujou na vida. Depois disso, para me encontrar na praia ou na puta que o pariu, ligue para o número que vocês quiserem , pois não vão me achar de qualquer forma.

8 – Não vou pagar conta nenhuma enquanto vocês não arrumarem essa joça!


Ao citibank, com amor,


Escapista. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Viva Farouk e Hamdam!

Você pensa que o brasileiro é um povo hospitaleiro, feito de pessoas alegres, com aquele malemolejo tupiniquim que só a gente tem, calor no tratamento que nenhum outro povo possui, com muito carnaval e samba no pé para os estrangeiros acharem nosso país o melhor do mundo? Então você precisa saber como tratamos os refugiados palestinos que aqui estão.

 

Os palestinos que aqui chegaram não recebem orientação, não possuem assistência médica e são enxotados para onde a ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) determina. De preferência pra Mogi das Cruzes, para bem longe deles. Longe de Brasília. Se no Brasil as pessoas são livres, é fato que uns são mais livres que os outros. Os palestinos são renegados a invisibilidade social de pedintes transeuntes. Nem isso. A mendicância é um ato que requer comunicação, o que relega o palestino abaixo da linha da miserabilidade. Os palestinos refugiados nem aulas suficientes de português recebem. São deixados no país assim como se deixa boi no pasto.

 

O posicionamento do nosso corpo diplomático, que no Itamaraty aprende a diferença dos tipos de talheres e como soltar flatos de modo requintado nas festas regadas a uísque contrabandeado, é absolutamente de omissão. Os nossos diplomatas com seus neurônios aristocráticos devem somente pensar: - Fodam-se! Que se deem* por satisfeitos em não tomarem no Brasil um míssil israelita em suas cabeças piolhentas!  

 

Quem sente na pele o tratamento hospitaleiro brasileiro são os senhores Farouk Mostafa Mansour e Hamdam Abu-Sitta, dois idosos palestinos que não falam português e que gostariam de ficar em Brasília e receberem tratamento médico. Farouk e Hamdam em nada foram atendidos e por isso acamparam em frente a requintada sede brasileira da ACNUR no Lago Sul. Lá, Farouk descobriu que os únicos funcionários que cumprem expediente são o porteiro e o segurança. Aliás, Farouk teve uma grata surpresa ao saber que uma tal sra. Margarida, mais uma meretriz com imunidade diplomática, trabalhava na ACNUR. Margarida jogou sua picape com placa azul sobre a calçada com o intuito de atropelá-lo em sua barraquinha. Hamdam, por sua vez, vive sendo despejado em albergues e lugares para tratamento de senis.    

 

Farouk e Hamdam não estão pedindo nenhum favor, somente que a ACNUR e o Brasil cumpram a Convenção para Refugiados firmada pela ONU em 1951, o Protocolo de 1967 e a lei 9474/94. Mesmo acampados como mendigos e tomando banho e fazendo suas necessidades no Lago Paranoá, embaixo das fuças da vizinhança rica e pomposa do Lago Sul, os velhinhos Farouk e Hamdam continuam sonhando com uma Palestina livre. Continuam invisíveis perambulando pelas ruas de Brasília e comendo frutas do chão.

 

*"Deem" sem circunflexo. Repare que os nossos diplomatas já usam o novo acordo ortográfico desta primitiva língua (sem trema) portuguesa.  Eu, como guerrilheiro, ainda prefiro a gramática da Juliana Paes: http://guerrilheirosdoplanalto.blogspot.com/2008/10/novo-acordo-ortogrfico-by-juliana-paes.html

Sobre Macacos e Essências


"A vida nesse planeta é preciosa em si, independentemente de qualquer alusão a hipotéticos mundos superiores, a eternidades, a existências futuras. O fim da vida é viver. Corpo e alma, instinto e inteligência, são manifestações igualmente divinas e têm o mesmo direito à existência. O homem, por natureza diverso e incoerente dentro da sua unidade, deve ter o espírito aberto a todas as diferentes formas da verdade, deve aceitar os seus eus múltiplos e, com todos eles, viver intensamente. Dos 'excessos equilibrados' resultará a rica vida do homem integral. Todos os 'excessos não equilibrados' - a mortificação ascética como a libertinagem embrutecedora, o intelectualismo puro como a caça ao dinheiro ou aos prazeres fáceis - são pecados contra a vida e portanto outras tantas formas de culto da morte".


Foi Aldous Huxley quem o disse.

A Roupa do Rei de Roma


Bush pai (distraído), Obama, Bush filho, Clinton e Carter (afastado) realizaram um encontro histórico nesta última quarta-feira. Os presidentes de gerações diferentes almoçaram juntos para gozar do histórico e compartilhado sucesso do projeto mundial que executam no mundo a algumas décadas.

Ainda tem gente que pensa que agora as coisas vão mudar. Nem a cor da roupa de quem vai e de quem chega são diferentes, como se a cor do recheio quisesse dizer alguma coisa neste escritório.

Republicanos ou Democratas, todos os fascínoras concordaram com o paradigma megalomaníaco romano adaptado aos tempos atuais devidamente relembrado por Bush filho antes mesmo de servirem a salada: a importância do papel de liderança dos EUA no mundo.

Essa é a cara da verdadeira miséria, acreditem. Essas pessoas representam aqueles que não aparecem. Mas estes também têm nome, ou melhor, sobrenome, e estão por aí: Rothschild's e Rockefeller's são tão conhecidos como a graduação da impunidade que acompanha a história de suas riquezas. Seus filhos também usam ternos escuros e de bom corte, às custas da nudez famigerante da população deste mundo liderado por eles.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Obituário: Touro Bandido


Ao lado de uma notinha bem pequena dizendo que Israel, após 500 mortos palestinos, continuará a bombardear a Faixa de Gaza, fixo a atenção em uma notícia maior: Morreu o Touro Bandido! Teve matéria no Fantástico e tudo (nessas horas eu me pergunto quando acaba a concessão Pública que autoriza a Rede Globo a transmitir conteúdos de grande relevância para a sociedade brasileira). O touro contracenou com o ator Murilo Benício na novela América e Glória Perez, em seu blog, lamentou o falecimento, dizendo que touro Bandido era rei! Foi enterrado com pompa de Chefe de Estado na Arena de Rodeio em Barretos.

Viva o Touro Bandido! Já pensou se enterram todos os bandidos como chefe de Estado? Ia faltar Arena em Brasília. Bandido deixou mais de 70 filhos (outras tantas viúvas), 2 mil semens congelados e, pasmem, 4 clones! Bandido em Brasília também deixa seus filhos (vide os Sicranos Junior’s e Fulanos Filhos que andam pelo Congresso Nacional), mas clone já seria demais!

Câncer de pele. Irônico, tendo em vista que Barretos possui um dos melhores centros de tratamento de câncer no Brasil. Touro Bandido não quis se submeter à sessões de quimioterapia. Não ia nem precisar pegar fila. Em Barretos ganhará uma estatua de bronze em tamanho real. Neste ponto, os políticos vencem. A estátua de bronze do memorial JK é três vezes maior do que o Juscelino.

Vá com Deus Touro Bandido! Seria melhor ter virado bife para alimentar a corja faminta de humanos. Virarás Estátua! Que venhas como rato de esgoto na próxima reencarnação!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Dia Universal da Ressaca


O primeiro dia do ano é feriado internacional em menção à paz e à confraternização universal. Bobagem, todos sabemos. Cada ano temos uma guerra nova. E sempre há "motivo" para tais empreitadas: econômicos, religiosos, econômicos, políticos ou econômicos, não importa.


Tive uma vez uma professora de história casada com um potencial homicida. Ela nos contou que seu marido adorava dar tiros eventualmente, como "esporte". Mas havia um problema: a munição tinha prazo de validade. Contáva-nos que, mesmo sem muita vontade, volta-e-meia o marido se obrigava a dar tiros por aí para não perder a munição já comprada. Ao seu modo, ela nos fazia pensar sobre a indústria da guerra...


E 2009 já começou fraterno e pacífico pelas bandas do Oriente Médio. A foto do reveillon na Faixa de Gaza mostrou que os foguetes de marcas israelenses não são os mais indicados para se celebrar. Resumindo: seria mais legítimo mudar o nome deste feriado para Dia Universal da Ressaca. O nome simbolizaria algo real, compartilhado neste dia especial por toda a humanidade. Enfim, algo que de fato nos une, ao contrário da paz e da fraternidade.


Fronteiras apenas nos apartam. Portanto, não possuem valor real nem legítimo.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Guerrilha-Retrô 2008


Enquanto veículo de expressão, também nos sentimos no direito de fazer a nossa Retrospectiva do ano que termina hoje. Não faltou assunto. Sobrou foi preguiça. Todo modo, por maior que fosse o nosso esforço, não daríamos conta de “prestigiar” a tudo e a todos a contento. Então, arbitrária como toda seleção o é, e preguiçosos como de costume, vamos apenas “catalogar” nossa produção anual, de forma bastante simples, mesmo porque nada é tão deprimente quanto relembrar amiúde as mazelas passadas. (Felizmente a Globo se deu conta disso e passou a retrospectiva para antes do dia da festa, mesmo correndo o risco de não noticiar a queda do Cometa Halley em Minnesota, ou coisa parecida, que pode acontecer nesse meio-tempo).

Nas 146 postagens do ano, por alguma razão que consideramos justa, em 2008:

FALAMOS MAL, DIRETA OU INDIRETAMENTE DE:


Madeleine, Ana Maria Braga, Brasilienses, Niemeyer, Denise Rothenburg, Polícia Militar de Goiás, Polícia Militar do DF, Polícia carioca, Polícia gaúcha, Polícia catarinense, Instituições financeiras, Instituições políticas, Instituições jurídicas, Brasileiros, Beto Carrero, Nelson Pelegrino, Timothy Mulholland, Pedro Brito, Loterias, Sérgio Naya, UnB, Estados Unidos, Eurico Miranda, Orkut, Xuxa, Miguel Jorge, coronel Paulo Roberto Mendes, Vaticano, Goiás, Plínio Araújo, Lauro Trevisan, carro Tata Nano, Missionário Ronildo Peçanha, Guerrilheiros do Planalto, Grande Colisor de Hádrons, UFO Detector, NET, Ronaldo Nazário, Kirsty Coventry, russos, Lula, Vaclav Klaus, Grazi Fantini, Colégio Militar brasiliense, padre Adelir de Carli, George Bush, Bento XVI, Claudio Ricci, Rede Globo, Brasília, Correio Brasiliense, Ziraldo, Google, Ram Bomjan, Dourados News, Gyselle Soares, BBB, GDF, Marcelo Valle Silveira Mello, Vital do Rêgo Filho, Zuleido Veras, Juliana Paes, Nomofóbicos, Ângela Guadagnim, Street-Fighter, Silvestre dos Santos, cariocas, Silvio Berlusconi, Louro José, Cinema brasileiro, ANCINE, Fernanda de Bretanha, Igreja Universal, Maranhão, Nelma Celeste Souza Silva Sarney Costa, gaúchos, Luana Piovani, Dr Pepper, Obama, Ciro Gomes, Madonna, Natal, USB Rocket Launcher e Walter Brito Neto.


FALAMOS BEM (ou nos compadecemos), DIRETA OU INDIRETAMENTE DE:


Maconha, Prostituição, Chris Rock, México, Dalai-Lama, Flavio Bazzo, cadela Laika, Raimundo Nonato, bebidas, Kikolai Malakhov, transexuais e homoafetivos em geral, Guerra Junqueiro, Lo Prado, Tim Maia, negros, Desidério Felippe de Oliveira, Falcão do Rappa, José Wilker, Dercy Gonçalves, Luiza, João Ubaldo Ribeiro, gaúcho da dinamite, Negro Jobs, Fernando Gabeira e o Guns N’ Roses.


Já que assunto não vai faltar mesmo, esperamos um ano novo com mais energia para guerrear. Sigamos em frente, Guerrilheiros!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A benção do Silêncio


Bush conseguiu se esquivar, mas isso é o que menos importa. No mundo árabe, não existe maior insulto do que atirar os sapatos em alguém. Agora estão tentando provar que o jornalista iraquiano estava drogado. Patético!

Por falar em drogas, nosso Presidente, ao ser questionado ontem na grande reunião de cúpula da América Latina sobre o episódio, perdeu uma daquelas extraordinárias oportunidades de fazer silêncio:

"Aqui, por causa do calor, se alguém tirar o sapato a gente vai perceber antes de atirar por causa do chulé"!!!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Já vai tarde!


Pouco sei sobre Walter Brito Neto. Elegeu-se vereador da capital da Paraíba com 22 anos e hoje, deputado federal, tem lá seus 26 anos.

Hoje, ao vê-lo andando perdido pela Câmara dos Deputados, como um zumbi bêbado, tive uma felicidade inexorável. Walter Brito amanhã perderá o mandato de deputado por infidelidade partidária. Pensei comigo mesmo: Já vai tarde seu playboy de merda! Quase disse isso em seu ouvido, bem baixinho, porém, na sua condição de ainda parlamentar, eu estaria preso por desacato. Amanhã, quando ele for ex-deputado, passarei o recado. Pensei em entrar em seu gabinete e gritar para os seus lacaios: “Aproveitem a teta que é o último dia seus inúteis”. Não o fiz por pura preguiça. 

Pausa em meus pensamentos, lembro que o fim do ano chegou e eu, proletário, só tive uma semana de férias. Fico ainda com mais raiva do fedelhinho deputado ao vê-lo vermelho como um pimentão, em plena quarta-feira, queimado de sol. Pura inveja...

Não tenho nenhum motivo para odiar Walter Brito Neto. Ele é inofensivo. Quase não fala, quase não trabalha. É só mais um deputadozinho do baixo clero que se apazigua com uma verbinha qualquer. Como a maioria dos políticos jovens, Walter Brito se valeu do Neto de seu nome, assim como outros se valem do Filho ou Júnior. Ele é só mais um exemplo vivo de que todos os políticos deveriam ser esterilizados para que suas crias não dêem continuidade em seus trabalhos.  Walter Brito Neto ainda é estudante, nunca trabalhou. Na página da Câmara, no que se refere a profissão, consta um grande espaço em branco. 

Uma busca no Google e descubro que Walter Brito Neto é da bancada evangélica e combate qualquer direito que possa ser concedido aos homossexuais. Walter Brito entrará para a história como o primeiro deputado a perder o mandato por infidelidade. Desejo mal para todos os políticos, inclusive os inofensivos e os suplentes que entrarão em seus lugares. Político é como mosca. Como diria Raul Seixas, se mata um, vem outro em seu lugar. 

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sugestão para o Natal

Da sociedade de consumo que nos coloniza estamos sempre buscando novidades, especialmente nesta época tão feliz para ela. Com exclusividade, os Guerrilheiros oferecem uma sugestão de presente para o seu filho. Lembre-se que nessa era cyber não tem mais graça brincar de guerrinha com pistolas d'água.

O USB Rocket Launcher (fabricado por alguma empresa de "brinquedos" USA idiota e boçal como sua população média) é um lançador de foguetes usb com 360 graus de rotação horizontal e 45 de inclinação vertical, que lança seus projéteis a 6 metros de distância, oferecendo uma área de cobertura de uns 113 metros quadrados. O brinquedo é tão divertido que com uma simples WebCam acoplada você pode fazer isso:

Vejam que sensacional. Aproveite mais essa oportunidade para construir um mundo pior para o seu filho. Quem sabe você não aproveita e brinca junto, servindo de alvo?

Recordações natalinas


Eu não gosto do Natal. Fico sempre mais melancólico do que de costume. Esta data, como outras tantas, foi construída para estimular o consumo, como todo mundo sabe. No momento em que vivemos somente para ter crédito para consumir, assuminos uma identidade que não é originalmente nossa. Vem de outra sociedade, que inclusive é aquela que mais se beneficia com nossa assimilação do seu jeito de existir.


A assimilação é tão profunda, que somos obrigados a aturar papais-noel de roupa de esquimó em pleno verão, além das estúpidas renas que jamais um brasileiro viu na vida. Na minha infância, era comum jogarem talco sobre o "pinheiro" de plástico para simular a neve. Com o suor comum da época, lembro que aquele talco esfumaçava o ambiente até grudar na pele. Era um horror...


Todo mundo se endividava para "agradar" uns aos outros. Nós, as crianças, só nos preocupávamos com a meia-noite, horário em que éramos liberados para atacar os pacotes, quando havia mais de um. Felizmente, como era Natal, nossos pais nos deixavam ficar brincando na rua durante a madrugada. Sempre alguém da rua ganhava uma bola. Meu irmão gostava muito da ceia também. Eu, nem tanto. Por isso, para mim, depois dos presentes, ficar brincando na rua de madrugada era a melhor parte. Nem sei se isso ainda existe, mas era divertido.


Mais "adultos", o Natal virou para nós uma excelente desculpa para fazermos merda, como nos embriagar ou querer jogar talco no "pinheiro". Até que nem reunir a família ficou mais tão divertido. Ninguém mais tinha saco de fingir que era legal. De se obrigar a se divertir. De se obrigar a se mostrar feliz perante aquelas pessoas que literalmente te neurotizaram ao longo da infância: pais, irmãos, avós, tios, primos... Apesar de haver algozes e algozes, a bem da verdade é que ninguém escapa.


Se você nasceu no berço de uma família cristã romântica e parnasiana, desconsidere minhas palavras. Aproveite o Natal do seu modo, com seus pais ainda casados e felizes, que inclusive acabaram de adotar uma criança em sua viagem pela Pastoral Infantil à Etiópia, no último inverno. Os avós, lúcidos e bem-casados, não sabem se celebram mais o novo netinho ou a sua gravidez. É claro que você, no alto de seus trinta anos, já se formou, casou com o melhor partido cristão da cidade, e já está a espera do segundo filho. João Pedro completa um aninho no mês que vem. Tudo isso com a benção de Deus, naturalmente.

Então, nesta data tão especial, quando o Ocidente realiza seu grande potlatch, relaxe se você se achar nadando contra a maré. Além de não estar sozinho nessas águas, há sempre de se aproveitar o feriado, seja do jeito que for.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Madonna, (não) vim aqui só pra te ver

Quando assistia via internet ao Jornal Nacional sexta passada, deparei-me com a matéria intitulada Vim aqui só para te ver, sobre a chegada de Madonna ao Brasil dando continuidade à turnê sul-americana que já passou pela Argentina e Chile.

Nada daquilo que vi me surpreendeu: fãs acampados há dias no Maracanã aguardando o primeiro show, outros tantos aquartelados por sua miséria na vigília instalada em frente ao hotel, ansiando por furtiva aparição na janela, quiçá acompanhada por algum gesto que apenas lembre um aceno. Esperar por mais é desnecessário. Vindo da “Diva”, qualquer sinal de interação - peido, arroto, piscadela, não importa - faria qualquer um de seus fãs, simples mortais, sentirem-se melhor do que se padecessem no Paraíso... Exagero meu?


Pelo que vi, os argentinos diriam que sim. No começo, tudo parecia igual. Acompanhei pela TV a chegada de Madonna a Buenos Aires.. À exemplo do que vi sobre o Brasil, por aqui a imaterial girl fez pouca questão de ser simpática. Além dos quatro shows que apresentou, saiu do hotel apenas para se encontrar com a atual presidenta argentina e Ingrid Betancourt - a futura colombiana, ao que tudo indica - na Casa Rosada. Fora isso, nem um aceno, nem um vulto na janela puderam presenciar algumas pessoas que chegaram a se aglomerar em frente ao seu hotel durante o primeiro dia.


À medida que se enchia de caprichos e antipatia, Madonna foi enchendo o saco de seus fãs portenhos. Essas fotos foram tiradas em frente ao hotel, somente UM DIA DEPOIS DE SUA CHEGADA. Mas, onde estão as pessoas e suas barracas? Cadê a confusão, os cartazes e os gritos histéricos? Cadê a imprensa? Cansaram-se, simplesmente. E rápido o bastante para não serem tachados neste blog de imbecis.

No Brasil, M. levou os filhos até a janela do hotel, motivo de comoção devidamente registrada e difundida. E o fez porque havia uma paisagem interessante para lhes mostrar: o mar. Não os brasileiros, que à exemplo de los hermanos, não passam de meros mortais, condenados à contemplação e à devoção de seus mitos construídos.
E vejam como são as coisas: mesmo não tendo paisagem melhor do que as das banhistas que freqüentarão a Praia de Copacabana nestes próximos dias, a estátua de Buenos Aires pôde seguir tomando seu banho de Sol sossegada durante a ilustre hospedagem.

BRIEFING DO SHOW (ou, Preparem-se para sofrer)

Naturalmente, fui a um dos espetáculos, coagido pelo irrecusável convite de uma mulher especial. Não vi nenhum acampamento, tampouco muita frescurada. Numa enorme fila, entramos no estádio ao som de um DJ conhecido pela criação de hits pegajosos, devidamente apropriados por torcidas brasileiras de futebol. Depois de uma hora suando apinhados à multidão, a música repentinamente cessou. Desprovidos de tal distração, tivemos que ceder ao último capricho de quase hora e meia de atraso cada vez mais mortificados, aguardando em pé pela distinta aparição, cada vez mais suados e espremidos.


Começa a chover, mas o calor – literalmente humano - é tão intenso que recebemos a provação como dádiva, algo que ela realmente foi. Quando enfim a imaterial girl se materializou no palco, devidamente sentada em seu deodástico trono, somos quase esmagados pela mentalidade adolescente presente, que avança sobre todos em busca de maior proximidade com o ídolo. Enfim, sobrevivemos para continuar compondo a gigantesca figuração humana do DVD da turnê que estava sendo gravado naquela noite, no estádio Monumental de Nuñez.


Estivéssemos nos anos 1980 ou 90, tenho certeza que eu aproveitaria muito mais a experiência: primeiro porque eu seria adolescente, e como tal, acharia mais graça em ver alguém de sucesso se portando como igual a mim; segundo, porque atualmente não causa a mesma surpresa – e encanto - uma mulher tornar público que dá para todo mundo ou executar pitorescos quadros eróticos com uma guitarra, uma garrafa ou simplesmente um dedo.


Mas não se preocupem. No relativo tempo em que ela está em cena (já que boa parte do set list é apresentado made in videoclipes, produzidos anteriormente para outros eventos, não para seu espetáculo) conseguimos atingir a tal regressão que nos permite pular como virgens ao som daquele contexto vogue. Tudo em nome da folia, que por aqui também se faz, aparentemente com menor grau de subserviência e de idiotização.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Balzac e a renovação existencialista anual


Felizmente, não nasci exatamente no Dia do Palhaço, mas três manhãs depois!

Mas isto não me torna menos palhaço que ninguém...

No alto da renovação de minhas reflexões anuais sobre a existência - diga-se de passagem, agora balzaquiana - dou-me conta que nada essencialmente mudou: continuamos afundados na merda, e gostando, o que é pior.


Ok, ok... Sempre sentimental, vou renovar minhas esperanças na humanidade: Ano que vem cumprirei anos num mundo melhor!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

10 de Dezembro: Dia do Palhaço


Uma homenagem dos Guerrilheiros a todos os brasileiros.


Feliz Dia do Palhaço!

Não acredite em tudo o que você vê


Nada melhor do que um papel de Santa, Anja, Madre ou aberração similar para permanecer reconstruindo uma imagem sacra, deodástica. O espírito natalino serve como uma luva para estes empreendimentos. É o momento de fazê-lo, ainda mais depois da campanha "difamatória" da Igreja Universal e do episódio em seu apartamento, que pegou fogo no último dia 06, quando a rainha, junto com seu reprodutor árabe e o resultado da cruza, provavelmente realizando alguma espécie de ritual, "acidentalmente" incendiaram a árvore natalina. Apesar do garanhão ter chamuscado sua crina, necessitando inclusive internação hospitalar, divulgou-se que nada de mais aconteceu.
Portanto, neste Natal, mais do que sempre, não acredite em tudo o que você vê!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Obrigado Ciro Gomes!


Por vezes sou injusto com alguns personagens. Apesar de raras oportunidades de humildade, de vez em quando eu até reconheço, como agora.

 

Há tempos fiz uma lista com quase uma dúzia de motivos para odiar Ciro Gomes. Não havia nenhum motivo para elogiá-lo,mas agora envergonhadamente venho aqui fazer o mea culpa.

 

Parabéns Ciro! Você não apresentou nenhum projeto de lei. Já se passou quase metade de seu mandato e você não importunou nenhum brasileiro com leis estúpidas. Os outros deputados já apresentaram quase 5 mil projetos patéticos e você nada. Obrigado Ciro! Só faltam mais dois anos. Continue assim, sem nos dar mais trabalho do que a sua existência já nos pesa. O mundo precisa de paz.  Não nos dê mais motivos para odiá-lo.   

sábado, 6 de dezembro de 2008

O Grande Fantasma é incolor



Em complementação ao post do Escapista de 21 de outubro ("E o Morgan Freeman?"), lembrei de "nosso" presidente futurista no "Quinto Elemento". Para piorar a maldade das metáforas, ele exerce o cargo de Presidente da Terra, estando o governo mundial sediado em Nova York, naturalmente.

Muito bem... sendo assim, é chegado o momento de engolir os ufanismos e cair na real: negro ou branco, verde ou caramelo, o Presidente dos Estados Unidos da América do Norte NUNCA SERÁ BONZINHO, até porque, se o fosse, jamais chegaria à Casa Branca. Ele está ali para garantir e viabilizar os interesses dos grupos econômicos que dão sustentação ao seu governo (não confundir a expressão com "país", ou, "população", esta ainda mais demodé). Aliás, em nada surpreendente o uso da máquina estatal para tais fins.

Mas isso, em menos tempo do que imaginamos, será algo do passado, como nós em relação ao futuro prático e complexo apresentado no "Quinto Elemento". Lá, o grande fantasma, que apenas nos assombra atualmente, já se materializou: a implementação de um único governo global. Imaginem que facilidade um mundo com menos burocracias: um só monopólio da força coercitiva; fronteiras livres para negociar a produção dos grandes centros econômicos, da maneira mais rápida e lucrativa possível; uma mesma lei e modelo de punição (não confundir o termo com "Justiça", que é outra coisa); um mesmo sistema bancário, previdenciário, educacional... enfim, o que - e para quem - seja mais lucrativo.

Quando chegar a hora, acreditem: o que menos importará será a cor da pele da nossa Presidência.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Guns lança Chinese Democracy regado a refri


Finalmente, o Guns N’ Roses lançou no último dia 24 de novembro seu tão esperado álbum, Chinese Democracy. Pra quem não lembra, a marca de refrigerante Dr Pepper prometeu um exemplar da bebida para cada cidadão dos Estados Unidos se a banda lançasse o seu álbum ainda em 2008. Domingo, quando o disco foi finalmente lançado, o site da empresa ficou fora do ar devido ao grande número de acessos. As pessoas procuravam emitir o cupom para ser trocado pelo refrigerante.

Recentemente, a empresa de bebidas estava mesmo entregando cupons para que todo mundo que vive nos Estados Unidos possa beber seu refrigerante grátis. A promoção foi válida apenas para o dia 25. A pessoa tinha que acessar o site e obter seu ticket que dá direito a pegar o prêmio até 28 de fevereiro do ano que vem. O vice-presidente de marketing da Dr Pepper, Tony Jacobs, disse que eles “jamais imaginaram que este dia chegaria”, mas, como chegou, ele afirmou que a empresa só tem uma coisa a dizer: “o refri é por nossa conta!”. Bueno, eu tenho outra: azar é o de vocês!

Luana Piovani precisa apanhar


Segundo um jornaleco de fofocas, Luana Piovani (de forma nada surpreendente para quem consegue namorar o patético e imbecil Dado Dodalgumacoisa) agrediu a produtora Bárbara Monteiro em uma gravação externa da novela "Faça sua história", porque a atriz não teria gostado do cardápio servido, o que a fez apertar o braço da produtora e a arrastar até o fundo do ônibus onde era servida a comida, perguntando-lhe, aos berros: "isso é comida que se apresente?".


No dia seguinte à agressão, a empresária da atriz teria enviado um e-mail à Globo com as exigências gastronômicas de Luana: Toddynho light, Polenguinho light, Maçã da Mônica, uva sem caroço, banana e água de coco.


Admito que estou com pouca inspiração para ofender Luana Piovani a contento. Compadeço-me principalmente pelas empregadas, porteiros, motoristas e atendentes de lojas que não têm o cacife suficiente para botar a bronca no trombone, como uma produtora de televisão. Espero, sinceramente, que algum deles se rebele, e dê uma sova na atriz. Em alguns casos, devo admitir que a violência é justificável.

Porto Alegre é demais...


... principalmente a contar por sua população estúpida que elege vereadores do calibre destes sub-escritos que procuram alterar a lei a fim de aprovar o projeto do Pontal do Estaleiro, na Câmara de Porto Alegre, que prevê a construção de seis prédios na orla do Lago Guaíba, museu e shopping center para atender aos ricos.

Apesar dos problemas que o empreendimento implica, incluindo problemas ambientais, urbanísticos, éticos e legais, além de ferir as Leis Federais que defendem estes perímetros, os vereadores porto-alegrenses estão comprometidos moral e economicamente com as construtoras interessadas na área de preservação ecológica, tanto que nesta semana um jornalista que acompanhava a tramitação da matéria na Câmara recolheu algumas pérolas produzidas pelos edis defensores da proposta. Vamos aos canalhas e às suas canalhices:

Elias Vidal (PPS)
"Futuras gerações? Eu quero é para mim e agora"."Ecologia o caramba"."Essa empresa vem com responsabilidade para Porto Alegre devolver a orla para nós".

Brasinha (PTB)
"Eu queria que tivesse mais três, quatro pontal do estaleiro."Eu votava duas vezes esse projeto"."Eles ali (os empresários) querem o crescimento. Vocês não querem?"

Haroldo de Souza (PMDB)
"Machuca o meu coração quando levanta alguma suspeita de que pode estar correndo dinheiro por este projeto"."Esse é o momento mais sublime da vida do vereador"."Vai mostrar esse dinheiro para o teu pai".

José Ismael Heinen (DEM)
"A iniciativa privada, auto-sustentável, vai trazer riqueza para nós"."Chega do Império do Público"."De repente, nossos filhos universitários tenham que continuar indo aos Estados Unidos encontrar oportunidades".

Nilo Santos (PTB)
"Reclamam que não se poderá ver o (Lago) Guaíba, mas há uma via de 20 metros para o carro passar".

Dr. Goulart (PTB)
"Quem manda aqui é o vereador, não é a Justiça." "A Justiça é para trabalhar com criminoso, não com vereador." "Quem decide altura de prédio é vereador."

ESTAMOS CONDENADOS À MISÉRIA.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Estado de Exceção instaurado em SC


Estarrecido, acompanho a tragédia ambiental que castiga Santa Catarina. Meu pai mora por lá, mas felizmente - para minha família - a situação da cidade aonde vive não é das piores. Mesmo assim, ele que se prepare, pois a polícia militar catarinense conseguiu a façanha de piorar o sofrimento das pessoas mais atingidas pelas chuvas.

Baixou o espírito da ditadura na PM. Para evitar os saques aos supermercados, a polícia instituiu o "toque de recolher". Qualquer pessoa encontrada nas ruas depois das 22h e que não tenha explicação para o que esteja fazendo será recolhida.

Isto não é um preceito legítimo para se instaurar o "estado de exceção". A FOME, esta sim, trata-se de um belo motivo para um estado de exceção. Portanto, os saques de comida são absolutamente legítimos. Se nos preocupamos em ajudar os flagelados, que o façamos de coração aberto. Sejamos realmente generosos e apreciemos a solidariedade mais urgente e imediatamente acessível, ainda que forçada: a das grandes redes de hiper-mega-mercados.

Todavia, como o Estado está sempre ao serviço do Capital, proíbe-se até que pessoas que perderam tudo possam comer. NÃO SE PODE ADMITIR NENHUMA MEDIDA QUE COÍBA NOSSA LIBERDADE DE IR E VIR. Ninguém pode ser obrigado a tamanho ultraje. Como se já não bastasse a tragédia natural, há de se enfrentar a tragédia humana. Sejam fortes, catarinenses. E você, meu pai, abra os olhos, porque o precedente já foi aberto.

Enquanto isso, no Maranhão...

Na República Federativa da das Bananas do Maranhão, a Meritíssima Desembargadora Nelma Celeste Souza Silva Sarney Costa, que aqui chamaremos de Dona Sarney, sobrenome que dispensa comentários, deferiu liminar para suspender o resultado do concurso para Juiz no Maranhão.

 

A desembargadora entendeu como inconstitucional a existência de uma nota de corte na medida em que o edital considera aprovado quem obtém 50% dos pontos. As informações correm entre os candidatos que alegam que a Dona Sarney teria duas filhas prestando o concurso.

 

Não estou interessado no resultado deste concurso. Alías, não me interesso por resultado de nenhum concurso que não seja de miss. Porém, o resultado que deveria ser publicado em todos os tablóides de grande circulação seria o de concurso pra juiz em que passaste a douta Dona Sarney. Talvez ainda exista nos arquivos ditatoriais da República das Bananas Maranhenses a prova desta dita.

 

Maranhenses, rebelai-vos! Mudem-se para Santa Catarina. Lá, apesar das inundações, a lama é menor. 

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Quando os demônios se agitam



Quem acompanha nossa batalha a mais tempo sabe que temos pouco apreço pela apresentadora Xuxa e pelo proselitismo religioso. Curiosamente, o proselitismo religioso concorda conosco quanto à Xuxa, tanto que a apresentadora processou a Igreja Universal por veicular em seu jornal a notícia de seu pacto com o demônio (o "furo" foi dos Guerrilheiros, mas, felizmente, não levamos o crédito por isso).

O jornal (que recuso escrever o nome, para não divulgá-lo mais do que o inevitável) afirmou em agosto que Xuxa teria vendido a alma ao demônio por US$ 100 milhões (desconhecíamos os valores!).

A global argumentou na ação que não autorizou a publicação das fotos divulgadas em 3 milhões de exemplares. E também alegou que, nas fotos, havia os dizeres "meu rei EXUX". Caso a editora não respeite a decisão judicial, terá de pagar multa diária de R$ 500, o que pode render até R$ 3 milhões da Igreja caso vença o processo.
Aproveitamos para informar à acessoria jurídica da apresentadora que não temos dinheiro nem bens disponíveis e que a hora de seu advogado custa mais do que tudo o que possuímos que pode ser revertido em dinheiro! E, o pior de tudo, é que isso é verdade...

Buenas.. agora seria a hora de escrever aquele desfecho sensacional, mas, sinceramente, nessa briga eu não vou me meter! Apenas um conselho aos comuns, como os Guerrilheiros: façam o que quiserem de suas vidas daqui em diante, nada importa mais. O APOCALIPSE NÃO TARDA!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Sobre botecos e hipocrisia


A jornalista Fernanda de Bretanha, apresentadora do DFTV (meio-dia) da Rede Globo de Brasília foi autuada no último dia 05 de outubro na 5ª DP após ser flagrada totalmente embriagada dirigindo o seu veículo. A jornalista só foi liberada após pagamento de mil reais de fiança e não teve suas declarações tomadas a termo por não estar em condições de falar, dado o seu estado embriaguez. Testemunhas disseram que na delegacia a apresentadora limitou-se a flertar com um dos agentes e a mostrar a língua para a escrivã de plantão.

Naturalmente, a mídia dominante, a qual a jornalista atende, não expõe este tipo de assunto, de modo a endeusar seus profissionais que são a “cara da empresa” e, portanto, os responsáveis pela transmissão dos valores e projetos da mesma. Assim, a hipocrisia sempre fala mais alto, e prefere-se a condenação e o espúrio da sociedade em geral, mesmo porque eles se encontram protegidos pela “inquebrantável esfera global”, aonde o que vale para esta sociedade não precisa ultrapassar a redoma. Lembrarei disso quando assistir na Globo Fernanda, Alexandre Garcia e Cia tendo orgasmos quando falam da “propriedade da lei seca e da tolerância zero”.

Dizem isso porque podem fazer a merda que bem entenderem, pois sabem que nada de grave lhes acometerá. Pessoas assim não se sentem iguais a nós. Mas o são: tão maconheiras e cachaceiras como qualquer mortal. Por isso não condeno as “merdas” em si, mesmo porque não deve ser fácil ter que cumprir papel tão degradante. Condeno a hipocrisia!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

GDF transforma Brasília em campo de futebol


O GDF adotou uma política publicitária inspirada no modelo populista utilizado pela ditaduta militar. O investimento na Seleção Brasileira e o investimento na mídia de dinheiro público do alegre e acrítico brasiliense remete a uma prática utilizada pelos militares para desviar a atenção popular das barbaridades que cometiam. Barbaridades à parte, o GDF também tem as suas para dissimular.

Paga-se o que for preciso, mas chega a ser amador: Pelé dando ponta-pé inicial (e o tempo todo "reclamando" que havia chego da Suécia somente na véspera), Arruda abraçando Pelé ao vivo em rede nacional (e tentando parecer "maneiro"), Romário de garoto propaganda na televisão(bem ao gosto da cultura carioc.. digo, brasiliense de Brasília), samba e confusão!

O pior é que funciona, ainda mais depois de um 6x2! DÁ-LHE BRASIL! DÁ-LHE GDF!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Pelo fim do Cinema Brasileiro e da ANCINE


O Brasil não sabe fazer cinema. A existência de uma Agência Nacional de Cinema é tão útil para o país quanto uma Agência Nacional de Esqui na Neve. Nenhuma. Até hoje nunca me importei que o governo reservasse uma fatia do que ele me extorque através de impostos para a produção cinematográfica. Patrocinar uma indústria privada, como a do cinema brasileiro, com dinheiro público, não é menos absurdo do que patrocinar a produção de lingüiças ou cervejas. Não bastasse a Ancine, não há um filme brasileiro que seja produzido sem o dinheiro da semi-privada Petrobrás. Contabilizem-se aí mais um naco da fatia do dinheiro que o governo nos rouba.

Os nossos produtores, roteiristas e atores são como nossos escritores, professores ou políticos. Todos de quinta categoria. Quem quer ver filme bom assiste um filme argentino e não perde tempo com o nosso lixo. É mais bem feito e barato, e o mais importante: Foi feito sem o seu dinheiro.

Pedro Cardozo, o ator que faz o Augustinho da Grande Família, divulgou um manifesto contra a nudez no cinema. Eu discordo totalmente. O auge do cinema brasileiro foi na década de 70, quando usávamos como roteiro os livros dos nossos maiores pornógrafos: Jorge Amado e Nelson Rodrigues. Mais de 10 milhões assistiram Dona Flor e seus Dois maridos. Não sei por que a indústria perdeu o interesse pela pornanchanchada. Era o verdadeiro momento em que patrocinávamos a cultura brasileira mundo afora. O Brasil é um país bunda com um povinho bunda e bunda é tudo o que temos para mostrar sem passar vergonha. Volte a pornanchanchada ou acabe-se com a ANCINE!

A ANCINE, não bastasse ser mais uma teta de funcionários públicos, passou a promover também a tortura entre os brasileiros. A última da Agência foi a montagem de uma campanha em que as salas de cinema de todo país irão exibir, nas segundas-feiras do mês de novembro, filmes brasileiros, com preços que variam de 2 a 4 reais. A escolha da segunda-feira não é aleatória. O brasileiro não pode se arriscar a assistir um filme horroroso na sexta-feira e estragar o resto de seu fim de semana. Além disso, temos que pagar dois reais pela tortura. Quando aprendermos a desenvolver minimamente nosso espírito crítico vamos quebrar as salas de cinema e exigir nossos 2 reais de volta. Aí sim, a ANCINE vai vir com outra política mirabolante de fomento ao fracassado cinema nacional. Vai começar a pagar para assistirmos nossas produções de quinta. E tudo isso, como sempre, vai sair do seu bolso.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Louro José é programado


Não agüênto mais o Louro José. Não sei se aqueles que acordam cedo e ligam a televisão de forma automática já prestaram atenção nos comentários deste passarinho. Eu reparei: são todos ignóbeis. Jamais critica alguma coisa que não seja o óbvio. Tudo que o programa faz (comidas, reportagens, entrevistas) É LEGAL! Até no patético caso Eloá, lembro bem, ele opinava, ao vivo, achando que o demente rapaz corrompido pela Xuxa o escutaria: "sai daí, Lindemberg. Para com isso, Lindemberg"!!! Faça-me o favor...

Acho que o Louro José possui um chip do Globo-Software enfiado na sua entrada usb-cloacal.

Arranca isso daí, passarinho! Desprograme-se, Louro José. Você não será demitido por isso. No máximo, terás um corte no teu alpiste...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Pode Piorar...



"Obama é bonito, jovem e bronzeado"


Para aqueles que sentem vergonha do Lula, uma demosntração de que poderia ser pior. Esta patética frase foi proferida pelo primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Ponto para Gabeira, gol contra do Rio


O candidato à prefeitura do Rio derrotado ontem protagonizou um episódio durante sua campanha que esqueci de registrar. Na semana passada, na UFRJ, Fernando Gabeira escutava no auditório alguns imbecis que em coro gritavam: "viado! Viado".

Não se contendo, Gabeira levantou, pegou o microfone e disparou:

- "se sou viado ou não é problema meu. Sou casado e pai de dois filhos. Vou trabalhar com a cabeça e não com o cu!!"

A resposta foi seguida de um espaço de silêncio e depois por uma sonora salva de palmas.

Infelizmente, Gabeira é carioca. E os cariocas terão que amargar mais um período de quatro anos às custas de sua tradiocional pasmaquice, disfarçada pelo rótulo da "malandragem" que nos acostumamos a comprar da mídia em geral, e da Rede Globo em particular.

sábado, 25 de outubro de 2008

Silvestre dos Santos, um brasileiro


Vou ser breve. Personagens da história: Silvestre dos Santos, eletricista que ganha mil reais por mês. Francisco Ramalho Medeiros, pastor evangélico, ganha 10% (no mínimo) do rendimento dos fiéis de sua igreja.

 

O resto é aquele blá blá blá de sempre. O eletricista acha um envelope com 2 mil reais e devolve ao seu dono, o pastor. O eletricista vendeu sua honestidade por 100 reais. Foi quanto o pastor lhe deu de recompensa. Silvestre deveria ter cuspido na cara do pastor, mas aceitou a propina, pegou 50 reais (50%) e dividiu o resto com seus comparsas de trabalho. De quebra ganhou seu momento de fama no tablóide Correio Braziliense.  A interpretação do Correio é que o eletricista é honesto. A minha é que ele é um típico brasileiro. Corrupto.

 

Tá tá, isso não transforma o eletricista em um político. Afinal de contas ele só aceitou 5% (100 reais). Aqui em Brasília, não existe verba liberada por menos de 15%. Mas a recompensa o transforma em um corrupto, barato, mas corrupto. Silvestre dos Santos pode agora erguer a cabeça quando andar por seu bairro com sua “honestidade” de folhetim de jornal.

 

Certa vez, tal qual o pastor, também tentei ser um corruptor. Falhei. Não tinha talento. Andando pelo centro de Nova Iorque, cidade com mais de uma dúzia de milhão de pessoas, distraído (como sempre), percebo que perdi minha carteira com uma boa quantia de dólares e todos os cartões de crédito. Refiz todo o meu percurso de volta e peguei dois metrôs para duas horas depois achá-la intacta com uma balconista de lanchonete. Tentei recompensá-la. Ela negou. Tentei mais uma vez, sem jeito. Ela respondeu:

 

- Não precisa me pagar por ser honesta!

 

Agradeci envergonhado de mim mesmo. Só estava tentando ser brasileiro.  Esse tipo de notícia não tem espaço no New York Times. A balconista também recusaria.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Negro Jobs pra Presidente II


Lendo o "Diário da Manhã" de Goiânia, vejo com alegria que Negro Jobs decidiu seguir a sugestão dos Guerrilheiros. Uma semana após a nossa postagem, a manchete do jornal estampa: "Negro Jobs agora sonha em ser presidente do País"


Apadrinhamos a candidatura! Continuaremos a apoiar Negro Jobs até aparecer o primeiro escândalo de corrpupção.


Avante Jobs!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

“Street-Porno Fighter I” será lançado em breve no mercado


O lendário game Street Fighter terá sua quarta edição lançada em breve. Pude ver algumas imagens e realmente elas impressionaram este “velho” de quase 30 anos que vos escreve, que, como muitos de sua geração, teve na segunda versão do jogo uma de suas primeiras experiências de viciar-se em alguma coisa.

Recentemente conheci um “documentário” com atores reais que interpretam os personagens do jogo vivendo na atualidade. Com o ostracismo do game, alguns tiveram que se virar para sobreviver, como o subnutrido indiano Dhalsin, que agora trabalha em NY como taxista, ou a graciosa chinesinha Chun-Li, funcionária de uma lavanderia, ou o bruto e vermelho Zangief, hoje um desconsolado faxineiro de um fliperama, e por aí vai.. (parece que só quem se deu bem mesmo foi o japonês Ryu, que ganha dinheiro vendendo vídeos de artes maciais). A saga pode ser vista no Youtube, a começar pelas primeiras partes: http://br.youtube.com/watch?v=D4KiSwwKGjM


Alguns dos personagens clássicos foram mantidos na nova versão, o que talvez os ajude na vida real documentada no Youtube (ou alguém duvida que eles existam?). Ok, mas começaram mal este projeto por causa do nome: Street Fighter IV deveria se chamar Street-Porno Fighter I (com toques de pedofilia e de zoofilia).


Como já falei, tenho 30 anos e fui "criado" dentro da imortal saga da Capcom.. Na época, já havia certa erotização dos personagens, mas nada que se julgasse “demais da conta”, como dizem os católicos mineiros. Acreditem: não é essa nova geração que se "erotizou" mais do que a minha.. São coisas como essa que a erotizam ao longo dos anos! Não sei mais qual o limite entre o "censurável" e a "caretice", sinceramente!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

E o Morgan Freeman?

Com sua sabedoria peculiar de mesa de sinuca*, Lula disse que um dos benefícios que a crise financeira irá causar é a eleição de Obama, primeiro presidente negro dos EUA. Como é que ele se esqueceu do Morgan Freeman? E daquele presidente do seriado 24 horas? Lula não entende nada de história! Americanos fantasiam o alter ego politicamente correto nos cinemas quando elegem presidentes negros. Pela primeira vez os EUA tem a chance de transformar a ficção em realidade. Como em post anterior, eu continuo duvidando:

http://guerrilheirosdoplanalto.blogspot.com/2008/09/por-que-obama-perder-as-eleies.html




* a propósito, respeito mais a sabedoria de mesa de sinuca do que aquelas advindas da boçalidade universitária.

Isabella Nardoni x Eloá Pimentel


Disse que o meu post anterior seria o último em relação ao caso Eloá. Eu menti. Entediado sobre o monopólio do assunto na imprensa e curioso para saber até quando terei que agüentar isso, a pedido de um colega do trabalho promovi uma luta no Google Fight entre Isabella Nardoni x Eloá Pimentel.


O Google Fight realiza lutas entre termos achados na Internet. Isabella Nardoni ganhou disparada em número de incidências no Google. Teremos que ainda agüentar essa lenga-lenga um bom tempo.

Quem quiser, é só pesquisar:
http://www.googlefight.com/

Caso Eloá


Meu único comentário sobre o caso Eloá. A culpa não é da polícia, do negociador, da imprensa, do assassino incapaz de lidar com frustrações, da mãe, pai, do irmão, do bispo. A culpa é da Xuxa!

A menina Eloá começou a namorar o ignóbil quando ela tinha 12 anos. A pervertida da Xuxa deveria ser responsabilizada criminalmente por toda criança que conhece sua sexualidade antes do tempo. Gerações de pais (geração pós-Xuxa) que estão por vir já acham isso normal.

Quem duvida, favor ler o post do Sniper:

http://guerrilheirosdoplanalto.blogspot.com/2008/03/xuxa-e-o-diabo.html

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Obrigado e boa sorte Gyselle


É bom saber quando possuímos leitoras “ilustres”. No último dia 11 de julho escrevi no post “A sina dos BBB’s” (http://guerrilheirosdoplanalto.blogspot.com/2008/07/sina-dos-bbbs.html) que o único destino “artístico” possível pra esse povo consistia em posar pelado em alguma revista masculina ou gay, antes da chamada do próximo programa, o que ocorre sempre por esta época do ano. Mais do que perda de tempo, tentar fazer qualquer outra coisa seria perder a boa possibilidade de, além de botar algum no bolso, ganhar uma sobrevida no tão desejado showbizz!


Citei na ocasião o caso da ex-BBB 2008 Gyselle, que tentava se lançar como cantora, ou coisa parecida. Felizmente, Gyselle leu meu post e aceitou posar a tempo na Playboy (edição deste mês). Gostaria de agradecê-la pela audiência e desejar-lhe boa sorte nesta nova (e mais promissora) carreira. Aguardarei agora pelo convite ao lançamento de seus filmes eróticos. Até!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Negro Jobs pra presidente!


Goiânia, capital da unidade federativa comumente conhecida por acontecimentos esdrúxulos, me presenteou com um acontecimento agradável neste último domingo. Após 20 anos de tentativa, entre candidaturas para deputado estadual e vereador, o Gari Negro Jobs se elegeu com 3.200 votos.

Negro Jobs utilizou 4 mil reais em sua campanha. O dinheiro foi adquirido com empréstimo consignado e será descontado agiotamente de seu contra-cheque de gari. Negro Jobs, que hoje recebe 500 reais para limpar as imundices dos goianos, a partir de janeiro, conviverá com a pior espécie de imundice: a dos políticos.

O dinheiro de campanha foi todo gasto em gasolina para sua brasília amarela ano 75 (seu único patrimônio). A brasília foi “tunada" com lixo, e Negro Jobs passeava pelas ruas da capital goiana sentado no teto de seu possante.

Nem precisava, mas Jobs tem até plataforma de campanha: Coleta de lixo e sinalização urbana. De acordo com o mais novo eleito, um turista, se largado no centro de Goiânia, se perde fácil pela falta de sinalização. Sim, Negro Jobs tem razão. Perder-se em Goiânia é quase um esporte pra mim quando visito a cidade. Os goianos pioram a situação ao fornecerem informações que te levam a um lugar ainda mais longe de seu objetivo.

Negro Jobs passará a receber 9 mil reais por mês e mesmo assim já voltou a varrer as ruas da cidade. Conselho ao Negro Jobs: Você agora é um político. Esqueça a plataforma de campanha. Roube bastante. Os goianos te deram salvo conduto para isso. Agora, se quiser ser diferente, serei o mais novo cabo eleitoral a defender Negro Jobs.

Alguns podem achar absurdo um gari ser eleito vereador em uma capital. Não tem currículo, histórico, ou capacidade, diriam os reacionários. Meu conselho: Façam como os mais de 4.200 eleitores de São José dos Campos, que elegeram como vereadora Ângela Guadagnim, aquela que fez a dança da pizza quando o Congresso absolveu mais um mensaleiro. Ela tem currículo e história. Médica, ex-prefeita e duas vezes deputada federal. Hoje, é apenas uma vereadora interiorana, que não chega e nunca chegou aos pés de qualquer gari. Muito menos o Negro Jobs

Negro Jobs pra Presidente!

Guerrilheiro Honorário

O prêmio "Guerrilheiro Honorário" ficará com o douto colega que explodiu uma bomba na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Nesta madrugada, uma bomba composta por uma panela de pressão, pilhas grandes, pregos e parafusos, explodiu em uma janela da Câmara localizada no centro de Porto Alegre. Sem pistas do autor.


Avante Guerrilheiro! Visite Brasília quando quiser.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

"Comessou-se" Outubro... sem Nomofobia!


Aproveitei para nomear esta postagem já inspirado na nova gramática de nossa língua, sugerida pela abundante intelectual brasileira Juliana Paes. Mas o assunto de hoje é outro. Descobriram recentemente uma nova doença, a Nomofobia, que vem do inglês "no mobile".

Vejam só: nomofobia é a doença que causa pânico e angústia na falta do celular. Aproveitaram, talvez para não dividir os créditos com ninguém, e incluíram nesta nova modalidade de neurose outras "drogas" sintomáticas, como o computador, email, internet, etc... Pra piorar, as pessoas não as enxergam como doenças, como se estivessem - parafraseando a Filosofia Matrix - aprisionadas em cápsulas futuristas que geram energia para as máquinas. Estão sempre conectadas ao sistema - e com necessidade de - mas com a vã ilusão de serem realmente livres.

Nanofóbicos de plantão, vós que sois prisioneiros neuróticos da modernidade, abri mais seus olhos e menos sua caixa de mensagens e blogs inúteis. Ao menos, é bom saber que como hoje é dia 03, outubro já começou atrasado para os guerrilheiros, o que indica não estarmos acometidos deste mal... Será???

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Acabou-se Setembro


Enfim findou-se o fatídico mês de setembro. Mês de luto quando alguns sádicos comemoram no dia 7 a “independência” do Brasil. Quem teve a infeliz idéia de sermos independentes fomos nós mesmos. Ao estilo brasileiro, com “jeitinho”. O colonizador cria o Estado no grito e fica por aqui mesmo, mandando em tudo. Não precisa derramar uma gota de sangue, aqui não se faz revoluções derramando sangue. Até hoje, em nossas grandes cidades, derramam-se litros deles sem mudar nada. Revolução aqui é no jeitinho. 

 

O que seríamos hoje se o Brasil colônia fosse? O trânsito livre de nossas prostitutas seria oficializado na Europa. Sem atravessadores (cafetões) ou passaportes falsos de hoje. Nossa mão de obra continuaria a ser baratinha, do tamanho da nossa qualificação. E o melhor de tudo, não precisaríamos de nossos políticos. A Europa que trate de arranjar seus próprios interventores corruptos para nos saquear. Mais de 5o mil vereadores, 5 mil prefeitos, não sei quantos deputados estaduais, outros tantos federais, senadores, governadores, burocratas da corte, arranjem tudo por conta própria! A metrópole que se vire!  

 

Seríamos tal qual uma grande Guiana Francesa. Vejamos: 1.300 euros de salário mínimo, 35 horas semanais de trabalho... eu topo! Aqui no Brasil muito doutor tem que trabalhar mais pra ganhar isso. Em troca seríamos explorados e dilapidados em nossas reservas naturais. Justo. Também continuaríamos pagando o Quinto de tudo que produzíssemos. Ahh, o Quinto!! Saudoso imposto. Bons tempos em que só pagávamos 20% pro leão ou pra qualquer portuga. Hoje, trabalhamos mais de cinco meses para pagá-los, e mesmo assim temos que arcar privadamente com segurança, educação e saúde. Quem sabe até não conseguíssemos abatimento em troca de nossas novelas. Sim, eles consomem isso também, prova que nem só de espertezas vive uma metrópole. Ficaríamos contentados com essas beradas. Tudo, como não haveria de ser diferente, no jeitinho. São apenas devaneios do que poderíamos ter sido. Maldito 7 de setembro!  

 

Novo acordo ortográfico – by Juliana Paes


Atento em minha ociosidade laboral, um brado de uma colega me chama a atenção:

- A Juliana Paes atualizou seu blog em plena lua de mel!!

Rendo-me a curiosidade marginal de saber se tem algo interessante no blog da Juliana Paes. Ela escreve? Pensa? O quê?

Sim, ela escreve. Muito pouco, mas escreve. Desde o começo do ano foram só três postagens. Mas como ela mesma diz em tom filosófico: “...nossa vida corrida é tão neurótica quanto a de qualquer mortal urbano.” Concordo Juliana.

As três postagens me fizeram refletir sobre o novo acordo ortográfico assinado recentemente pelo presidente Lula. Nem sabia direito quais eram as mudanças, mas fui conferir, pois me restava uma pontinha de esperança de que a Juliana Paes fosse uma mulher à frente de seu tempo, que antevê as mudanças de nossa língua (sem trema!!).

Decepção. Nada havia no acordo ortográfico que justificasse o estilo literário de Juliana. Lendo as postagens de Juliana Paes, imaginei o novo acordo ortográfico caso fosse ela, e não o Lula, a presidenta do Brasil:

1) Regra de Crase

Não existe. Utilizem a crase de forma a esmo. Como diria o aforismo de Ferreira Gullar: “A crase não foi feita pra humilhar ninguém!”.

2) Vírgula

Esqueçam as regras. Utilizem também a esmo, mesmo tornando as frases incompreensíveis.

3) A partir de agora todas as palavras com “x” podem ser escritas com “ch” e vice-versa.

4) A partir de agora, não haverá critérios para utilização de letras minúsculas ou maiúsculas.

5) Esqueçam os advérbios: “Onde” pode ser usado em situações que não determinam lugar algum.

6) Há, a, à, haver, a ver.....AAAAAA esses AAAAAs são todos iguais. Utilizem de qualquer forma.

7) Concordância verbal. Esqueçam, vocês podem sorri (ou seria sorrir?) agora!

Eis uma boa idéia para o nosso novo acordo ortográfico. Aboliremos as regras. Salve Juliana! Teríamos muito menos analfabetos funcionais. Juliana Paes para presidenta do Brasil! A nossa anarquista gramatical! Parafraseando a própria:

“É realmente impossível agradar a todos, eu não posso ter essa pretensão!” – sim Juliana, você pode.

domingo, 28 de setembro de 2008

Profunda hipocrisia


No Brasil não é tão difícil ser universitário. É mais difícil cursar uma boa universidade. Para piorar a situação, inclusive daqueles que cursam boas universidades, a Educação não é assim tão valorizada por aqui. Estes e outros fatores menos importantes criam um interessante "mercado acadêmico", por assim dizer.


A coisa funciona mais ou menos assim: estudantes intelectualmente incapazes entram com facilidade em universidades brasileiras. Nas notórias caça-niqueis particulares não entendo porque ainda insistem em forçar "vestibulares", realizando provas de desenho, ou de redação, o que, convenhamos, dá no mesmo. Certa vez, um amigo foi numa dessas se informar sobre sua colocação, pois ele tinha conseguido a façanha de ficar na lista de espera. Não precisou esperar muito: saiu de lá matriculado, com menos 500 pratas no bolso e com a cara pintada (de palhaço).


Pois estudantes como esse meu amigo, além de outros tantos também nas universidades públicas, conseguem enrolar durante o curso todo, mas na reta final, quando são obrigados a apresentar um trabalho de conclusão... Nesse momento a consiência (ou inconsciência) cobra a sua conta, e os paralisa! Não conseguem escrever e sequer admitir que não o conseguem: inventam doenças, dramas existenciais.. enfim.. a demanda está criada e como tal, gera uma oferta, rapidamente preenchida por certos tipos, como professores pé- rapados, aposentados ou não, formandos e formados pé-rapados, bolsistas de pós-graduação pé-rapados (não confundi-los com a maioria da espécie, filhos pródigos de nossa sociedade), assim por diante.


Esse interessante mercado (que supre carências intelectuais, financeiras e ajuda a mascarar a imoralidade do Estado, conivente com a má educação desde nossa alfabetização e vendido aos interesses empresariais do setor) foi recentemente ameaçado pelo Projeto de Lei (PL) 3934/08, de "autoria" (hahaha, não me façam rir) do deputado Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), que prevê, dentre outras coisas, reclusão de um a três anos para quem produzir, elaborar, ratificar, etc, etc, qualquer modificação em trabalhos acadêmicos de outrem.


Todos sabemos que pareceres e estudos que os deputados assinam como autores são feitos pelos consultores da Câmara. Por isso, sugiro ao nobre deputado que coloque profundamente seu PL e sua hipocrisia no seu sobrenome e que da próxima vez me procure quando quiser formular novos PL's. Além de escrever melhor que seu assessor, seguramente custarei mais barato para os cofres públicos.

sábado, 27 de setembro de 2008

Por que Obama perderá as eleições americanas?


Desde o início da crise do sistema financeiro que se iniciou nos EUA, Barack Obama nunca esteve em tão larga vantagem nas pesquisas em relação ao candidato do Partido Republicano, John McCain.  Mesmo contrariando todas as projeções, não me sinto nem um pouco louco em determinar a derrota do candidato democrata a poucas semanas das eleições. Aliás, me sinto um pouco como um Deus do futuro, um Oráculo cuja humanidade deseja consultar. Sim, Obama perderá as eleições. A culpa disso tudo é que o cidadão estadunidense é racista (com todas as ressalvas antropológicas que o termo carrega).


Você deve estar pensando. “Peraí, se o americano é racista, por que Obama lidera as pesquisas?". Eu respondo: Porque o americano é hipócrita e tem pudor de demonstrar seu racismo. Um pouquinho de história para selar a derrota de Obama:

 

Na eleição para prefeitura de Nova Iorque de 1989 disputava David Dinkins, um candidato negro, contra Rudolph Giuliani, candidato branco. Todas as pesquisas davam larga vitória de Dinkins (mais de 15 pontos), porém, ele se elegeu de forma apertada. Este não foi um caso isolado. Em 1990 concorreu ao Senado Americano, pelo Estado de Louisiana, David Duke, racista declarado e defensor da supremacia branca. Duke não se elegeu, mas teve 20% a mais do que previa as pesquisas eleitorais. Assim será no caso de Obama. O americano tem vergonha de estampar seu racismo em pesquisas. 


É pouco? Ainda não acredita? Então saiba que Steven Levitt, no seu livro “Freakonomics” analisou um site de relacionamento de americanos em busca de um parceiro. Quase metade das mulheres e 80% dos homens disseram no preenchimento do formulário que não se importavam com a raça de seus futuros parceiros. Porém, ao responder as sondagens, dos homens que disseram que não se importavam com a raça, 90% direcionaram suas respostas para as mulheres brancas, e das mulheres que se isentaram de preconceitos ao preencher o formulário, 97% só responderam aos homens brancos.

 

Pronto, está selada a derrota de Barack Obama. Não sou Deus e nem nenhum Oráculo. Apenas conheço o podre da humanidade. Este podre pesquisa nenhuma mensura. Não se apegue a análises complexas que explicarão porque, apesar das pesquisas, Obama perdeu. A humanidade é estúpida, e isso torna o mundo mais simples do que imaginamos.     

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Feliz Primavera 2008


Neste domingo eu andava despretenciosamente pela avenida que cerca o Jardim Botânico de Buenos Aires quando me deparo com esta imagem. Somente assim lembrei que a Primavera chegaria no outro dia, o que tornaria esta segunda especial, algo que raramente ela consegue ser.


Esta é nossa saudação primaveril aos guerrilheiros leitores. Os sensíveis e poéticos jardineiros, ao que parece, estavam despretenciosamente próximos, observando a reação daqueles que compreendiam a pueril mensagem. Ponto para los hermanos.
Então, que nesta primavera nossa vida seja repleta de cores, flores e principalmente odores que nos inspirem sempre, que nos permitam ascender a outras dimensões sem prejuízos de nossas capacidades e de nossa consciência, que certos discursos moralistas qualificam como qualquer coisa que fuja ao nosso juízo autônomo e singular.


Cada qual a sua maneira, devemos, guerrilheiros, explorar estas novas dimensões da consciência, ou da razão, descontínuas e ao mesmo tempo superiores e mais completas perante aquela outra, abstrata, convencional e essencialmente pobre chamada "realidade".


FELIZ PRIMAVERA A TODOS

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

ENFIM, O FIM?


Ok, estou de ressaca e o mundo não acabou! Somos incompetentes até pra isso. Vou continuar suportando a humanidade. Porém, cientistas acreditam que a geringonça só dará resultados a partir de 2009.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

ENFIM, O FIM


Chega de expectativas, aproveite a noite como se fosse a última, até porque, é a última. Como eu havia previsto em post anterior, o fim do mundo chegou! http://guerrilheirosdoplanalto.blogspot.com/2008/04/o-fim-do-mundo-parte-ii.html

O Grande Colisor de Hádrons vai ser ligado às 4h30m desta quarta-feira, horário de Brasília. Como eu havia me prometido, vou abrir uma garrafa de vinho e ficar embriagado. Sugiro ao resto da humanidade que aproveitem suas últimas horas para pecar. Pequem bastante.

Fui...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O placebo de Zizec: Vota Brasil!


Navegando na Internet encontro em um Blog Político de certa notoriedade (Blog do Noblat) uma enquete sobre em quem você votaria nas eleições presidenciais dos EUA.

O antiamericanismo barato dos brasileiros incentivado pela imprensa e abastecida pela esquerdalha universitária pseudo-marxista, trotistas, chauvinistas e outros “istas” (excetuando os anarquistas) será discutida em outro momento. Vou falar sobre a enquete em si. Tentei votar e não consegui, pois somente assinantes do tablóide “O Globo” estão aptos para tal feito. O mesmo vale para qualquer comentário às postagens. O blog está vendido para as Organizações Globo. Isto não é uma crítica, somente uma constatação. É um Blog vendido.

Pensei com os botões da minha camisa barata por que raios eu queria votar numa enquete de um blog vendido sobre as eleições americanas. O pensamento do filósofo esloveno Slovoj Zizec consegue me responder. Zizec defende que ao apertarmos o botão do elevador, temos a falsa sensação de fazer parte do movimento do maquinário. O botão do elevador funciona como placebo ao usuário. O elevador, independentemente de apertadas de botões, vai subir, descer, abrir, fechar, cair e explodir conforme a conveniência. Não importa.

Quando voto numa enquete de um blog vendido, ou até mesmo em uma eleição tradicional, tenho a sensação de estar mudando algo ao referendar minha preferência por uma marca de farinha que se encontra em uma mesma cumbuca. Eu acredito que faço parte do sistema, mas não faço. É o placebo de Zizec, o botão de um elevador ou de uma urna eletrônica. Enquanto isso, o nosso dinheiro é queimado pelo TSE com a fatídica campanha “Vota Brasil!”

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Breviário Eleitoral Brasileiro


"Na barraca, começará a encenação da Farsa Eleitoral.


Diante dos eleitores com cabeças de madeira e orelhas de burro, os candidatos burgueses, vestidos como palhaços, dançarão a dança das liberdades políticas, limpando a face e o posfácio com os seus programas eleitorais de múltiplas promessas e falando com lágrimas nos olhos das misérias do povo e com voz de bronze das glórias da França; e as cabeças dos eleitores gritam em coro e solidamente: hi han! hi han!


Em seguida começará a grande peça: O Roubo dos Bens da Nação".


O trecho acima explica muito do que se passa no período que antecede as eleições municipais brasileiras e é parte do manifesto de Paul Lafargue. "Direito à Preguiça". Este direito explica em muito o porquê não comentarei nada. Pensem por si.




Em tempo, Lafargue também teve preguiça de viver. Após uma festa suicidou-se com sua esposa, Laura Marx (filha do Karl Marx). Lafargue, em carta, antecipou que preferia morrer antes que a velhice lhe transformasse em um peso para os outros e para si mesmo.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Menos um - parte II

Há pouco mais de 3 meses escrevi que "As vidas de cem padres não valem a existência de meia baleia...". Pois bem, testes de DNA comprovam, acharam o padre! Na realidade quem achou foi um rebocador da Petrobrás. Como diria um colega de trabalho "Depois da reserva pré-sal, até padre a Petrobrás está achando agora!"

A bem da verdade, não acharam o Padre, acharam duas pernas e uma bacia. Acharam meio Padre. O resto deve ter virado fezes de tubarão. Agora, parem de procurar a outra metade! Enterrem o que sobrou deste padre estúpido e virem a página! A humanidade ainda tem muitos idiotas para descartar.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Brasília, o paraíso racista

Marcelo Valle Silveira Mello é o nome completo de um ex-estudante da UnB que através do Orkut chamou de "macacos", "répteis favelados" e "retardados" os estudantes admitidos pelo sistema de cotas da universidade. Marcelo foi processado por racismo, mas disse que tudo era brincadeira, que somente queria ganhar popularidade virtual.

A juíza do caso, Geilza Diniz, absolveu Marcelo. Considerou que o jovem era imaturo e que hoje, não é racista, já que "convive com negros e é tido em bom conceito por eles". Diante de tal argumento, fico imaginando a absolvição de um estuprador. Deve ser algo do tipo: “Ele não é estuprador, pois hoje ele convive com mulheres e é tido em bom conceito por elas”. Ou de um assassino: “Ele não é homicida, inclusive convive hoje com pessoas vivas sem vontade de aniquilalas”. Estou até com preguiça de vasculhar a vida desta meretríssima para saber quantos corruptos, racistas e afins ela já livrou da cadeia.

Nome aos bois, Marcelo Mello é um representante típico da juventude podre brasiliense. A juíza, Geilza Diniz, por sua vez, é uma típica representante do funcionamento da justiça candanga. Marcelo e Gleiza são moradores de um mesmo balaio fétido apinado de elites enojadas com qualquer aproximação da súcia popular e acostumadas a esgaravatar os dentes com palitos de marfim. Mais dois para a vasta lista suja dos Guerrilheiros.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Pequenos Reparos



Lendo o Diário Oficial da União constato que o Senado está pagando R$ 80 mil para uma empresa montar e desmontar o estande na Bienal do Livro em São Paulo. A Câmara dos Deputados, por sua vez, está pagando R$ 3,8 milhões para outra empresa fazer reparos elétricos e hidráulicos.

Quando meu filho crescer, quero que ele seja montador de estandes, eletricista e encanador. Se não ficar milionário, pode pelo menos virar presidente da república.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Vereadores prestam homenagem a puteiro no Sul


A Câmara de Vereadores de Carazinho (RS) - cidade aonde nasceu o lendário político Leonel Brizola, que perpetuou para a história seu nome como sinônimo de uma conhecida droga - aprovou uma homenagem de aniversário a um conhecido prostíbulo da cidade.

A proposta, apresentada por aquele que deve ser seu cliente mais assíduo, o vereador Gilnei Jarré (PSDB), pediu o envio de um ofício para Maria Gorete Souza Cavalheiro, proprietária da Danceteria Garotas da Gogo, parabenizando-a pelos nove anos de atividades no município: "externamos nossas congratulações a esta empresa e toda sua equipe de funcionárias que proporcionam momentos de descontração aos clientes", declara o texto original, aprovado por outros cinco clientes.

Os Guerrilheiros gostariam de parabenizar a iniciativa, desejando sinceramente que ela sirva de exemplo a ser seguido pelas demais Casas do Poder. A propósito, os parlamentares da Câmara poderiam começar este movimento homenageando suas ilustres mães. Já seria um começo.

João Ubaldo Ribeiro vence Prêmio Camões


O Prêmio Camões é tido como o mais importante da literatura de língua portuguesa. Criado em parceria pelos governos brasileiro e português em 1988, é concedido pelo conjunto da obra a autores que tenham contribuído para enriquecer patrimônio da língua portuguesa.


Neste ano, contudo, Ruy Espinheira Filho, presidente do júri, teve que adiar em horas a divulgação do nome do vencedor, isto porque ele simplesmente não conseguia encontrá-lo para anunciar a premiação. Frustadas as melhores tentativas, o presidente teve de se contentar em deixar um recado na secretária eletrônica do grande vencedor.


Cachaceiro assumido, o vencedor deste ano provavelmente se encontrava em algum botequim carioca enquanto tentavam em vão contatá-lo, e, quando soube da notícia (via secretária eletrônica!) não se mostrou muito entusiasmado. João Ubaldo, o oitavo brasileiro a receber a importante premiação, admitiu que "para ser sincero, eu não acho nada demais. Acho que ganhei porque mereço".


E sobre o prêmio em dinheiro que receberá pela distinção (cerca de 100 mil reais), João Ubaldo avisa que não é suficiente para que fique rico. O montante vai completar a aposentadoria de R$ 1,2 mil que o escritor declara receber! Como se vê, um prêmio justo, para alguém que realmente sabe dar o devido valor às coisas!

sábado, 26 de julho de 2008

Bem-vinda!


Bem-vinda Luiza! Este mundo é um pouco conturbado, mas se olhar bem de perto, vale a pena passar por ele. Desejo-lhe uma boa estadia. Guerrilheiro também é tio!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Dercy Gonçalves: o Brasil perdeu uma grande mulher


O Brasil perdeu uma de suas personalidades femininas mais trangressoras. Dolores Gonçalves Costa, com mais de 70 anos de carreira, dizia que somente morreria quando quisesse. Bem, querendo ou não, no alto dos seus 103 anos (conforme sua própria contagem), a atriz foi vítima de pneumonia neste último sábado, no Rio de Janeiro.


Assim que soube da notícia, confesso que meu primeiro sentimento foi de alívio. Agora que Dercy Gonçalves partiu para o outro lado, estou convencido que existe realmente uma ordem natural das coisas: todos os seres vivos, sem exceção, morrem algum dia! Dercy Gonçalves desafiava esta lei, e parte da humanidade, como eu e Saramago (que escreveu sobre "As intermitências da morte") já pensavam que a imortalidade consistia em algo possível para nossa espécie.


Mesmo desiludidos com a verdadeira - e triste - lei da vida, os Guerrilheiros não podem deixar de prestar aqui a sua homenagem a esta grande mulher, conhecida midiaticamente por sua "irreverência", algo que nós preferimos chamar de "rebeldia" e de "inconformidade".


Filha de uma família muito pobre, Dercy trabalhava como bilheteira de cinema desde muito jovem, até estrear como atriz itinerante de teatro no longínquo ano de 1929! Desde esta época, a matriarca do despudor já provocava o choque (e a admiração) de todos aqueles que a conheciam. Seu despudor e sua rebeldia marcaram sua carreira, tornando-a uma personagem de si mesma.


Como mulher (e para elas certas coisas são sempre mais difíceis), Dercy rompeu desde muuuito cedo com certos padrões e expectativas de comportamento, e iniciou ao seu modo no Brasil, ainda na década 1930-40 como estrela de comédias e do teatro de revista, a emancipação social e sexual feminina, algo que ficaria registrado em nossa memória coletiva somente décadas depois, via movimentos made in países do Atlântico Norte. Portanto, o Movimento Feminista Brasileiro deveria render todas as homenagens possíveis a esta grande mulher, ao invés de ignorar a sua rebeldia e a sua inconformidade à maneira do senso comum, por exemplo, a partir de epítetos falocêntricos como esta imbecil idéia de "irreverência".


Descrever as atitudes libertárias desta mulher estenderiam em demasia este post. Desde seu casamento nos anos 1950, quando já era mãe solteira de Dercimar (sua única filha) com outro homem, passando pelo seu topless no Carnaval de 1991 (com 85 anos!), até sua ultima aparição pública, na festa da boate gay Le Boy, em Copacabana, Dercy mostrou que independentemente do que o mundo espera da gente, sempre podemos exercer nossa autonomia, sermos quem desejamos ser. Ela conseguiu provar-nos isto ao longo de mais de um século. Por isso, com a sua morte perdemos uma pessoa, mas ganhamos um mito. Viage em paz, Dercy!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Parabéns Desidério


Segunda-feira, 14 de Julho de 2008, 16:22 (http://www.douradosnews.com.br/)



"Confira o resultado da última enquête do Dourados News “Qual destes nomes teve maior importância para Dourados?”, e o remanescente de famílias escravas, Desidério Felipe de Oliveira foi o nome escolhido pelos internautas como tendo maior relevância dentro da história do município de Dourados. Ele obteve 221 votos, contra 190 de Marcelino Pires, 52 de Weimar Gonçalves Torres, 39 de Marçal de Souza e 29 de Joaquim Teixeira Alves.



Segundo a história oficial, ele teria nascido em 1867, no Estado de Minas Gerais, e chegado no Mato Grosso do Sul por meio de uma comitiva de boiada, na região da Vista Alegre, localizada no município de Maracaju. Nesta cidade, conheceu uma índia Terena, de nome Maria Cândida de Oliveira, com quem se casou e teve os quatro primeiros filhos. Na primeira década do século XX, Dezidério e sua família chegaram a então Vila Dourados, comarca de Ponta Porã, onde nasceram seus outros oito filhos.



Em Dourados, Dezidério teria conseguido a aquisição de 3.748 hectares de terra, originando a Fazenda Cabeceira de São Domingos, localizada no atual Distrito de Picadinha, onde teria montado uma estrutura agrícola/comercial. Em suas terras produzia, para subsistência, arroz, feijão, mandioca, e mantinha criação aves e porcos. Como atividade econômica, criava gado e mantinha o cultivo de erval, o qual comercializava em Campo Grande, enviando sua produção através dos carros de boi. Outro ramo econômico desenvolvido por Dezidério foi a formação de cafezal.


Dezidério Felipe de Oliveira faleceu no ano de 1935. Atualmente, quatorze famílias descendentes de Dezidério residem na área que restou da Fazenda Cabeceira de São Domingos e outras vinte e uma famílias estão morando em bairros periféricos de Dourados. Essas famílias descendentes do pioneiro Dezidério, recentemente organizaram a Associação Rural Quilombola “Dezidério Felipe de Oliveira”.


Atualmente, famílias negras que se dizem descendentes de Dezidério lutam na Justiça para conseguirem terras da região da Picadinha que segundo eles teria sido grilada por proprietários rurais. Os produtores negam tal fato, e dizem possuir documentos que comprovam a inverdade dos fatos. Apenas 40 pessoas que se afirmam remanescentes de quilombolas vivem nas propriedades da Picadinha com lavouras de subsistência, por outro lado, uma usina de cana-de-açúcar que será instalada na região, dever produzir sozinha depois de plenamente instalada, 150 milhões de litros de álcool e 260 mil toneladas de açúcar cristal.


A enquete do Dourados News não teve cunho político e teve duração de exatos sete dias, não buscando portanto privilegiar nenhum dos cinco concorrentes ou seus descendentes. Cada IP de computador teve direito a no máximo um voto por dia".


Parabéns também aos outros 220 "dourados" que, como eu, contribuiram para esta importante conquista de visibilidade, mesmo o texto do Jornal ter mostrado o quão pelego o tablóide é. E sorte às famílias que lutam por sua terra. Vocês hão de vencer!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Gays são perseguidos pelo GDF


O réptil e também governador do Distrito Federal, Arruda, do partido dos DEMoníacos, tomando uma medida ditatorial, VETOU a emenda que garante o pagamento de pensão ao parceiro homossexual em caso de morte, desde que se comprove relação estável. A CUT/DF, propositora da emenda, não aceitou o veto do demoníaco governador e fez pressão para que o direito fosse garantido.


Na última quarta-feira (9/07), a CUT/DF e movimentos LGBTT – lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e travestis -, além de representantes de sindicatos cutistas e de outros movimentos sociais, realizaram uma vigília em frente ao Palácio do Buriti. A manifestação foi mais uma forma de demonstrar que a Central e os movimentos não abrirão mão de que os benefícios previdenciários aos servidores do GDF sejam também concedidos aos casais gays.


Ao menos o ditador já se comprometeu a finalizar o texto até o fim deste mês para encaminhá-lo à Câmara Legislativa em agosto, logo após o recesso parlamentar. Espero que ele também assuma de uma vez a sua homossexualidade e pare de descontar na sociedade suas frustrações.

O Estado Brasileiro não é laico (ou, "Sobre quando encontrei o Grande Juiz Boçal")


Estado laico é aquele que não possui orientação religiosa para sua ordenação. Supostamente, o Brasil é laico desde a sua primeira Constituição Republicana, promulgada em 1891, quando existiu a separação entre o Estado e a Igreja Católica. Hoje a tarde eu senti na pele como isto não é verdade.


Fui dar um testemunho na Justiça Federal em favor de uma conhecida que está sendo processada pela União. Ela é a senhora que presta serviço de reprografia no centro acadêmico da Univesidade em que estudei. Pelo que lembro, a cópia saía a 6 centavos/folha, e os estudantes podiam pagar a prazo suas cópias, quando aparecia um dinheirinho, sem problemas. Sempre foi assim, até que a Universidade decidiu cobrar uma licença de trabalho que sabem que ela não possui, podendo assim expulsá-la do lugar, pois se ocorrer uma licitação, ou concessão, que seja, o favorito para vencer é um conhecido empresário do setor, que já possui "lojas de xerox" em outros lugares, inclusive em outros campus da mesma Universidade.
Ele provavelmente deve ter acordado alguma coisa com a atual diretora do Instituto que é dono do prédio. Mas este é um assunto que eu prefiro deixar sob o cuidado dos gélidos ventos que sopram nesta época naquelas bandas do sul. Entretanto, o assunto central não é este. O mais importante para mim foi observar a imbecilidade daquele ritual chamado de "audiência", como se estivéssemos na presença do "Próprio Nazareno"!


Para começar, o Tribunal se trata de um ambiente absolutamente constrangedor. Não sei como existem pessoas que conseguem trabalhar em um lugar como esse. Fazem de tudo para intimidar você, a começar pelo espaço, pelo lugar. Numa mesa em forma de "U", você deve sentar na "ponta da curva" , tendo ao seu lado os advogados das partes, um em cada orelha, evidentemente. Na sua frente, o "Grande Juiz" (no meu caso era um tipo bem boçal com sotaque que me pareceu mineiro, sem querer ofender). Ao lado dele, uma espécie de escrivã-office-girl-recepcionista, que é quem faz quase todo o trabalho, na verdade. Lembrou-me uma cambona do candomblé.


Por falar em religião, minha incredulidade com aquele ambiente castrador e intimidador chegou ao ápice quando reparei o enorme crucifixo dourado pregado na parede, exatamente sobre a cabeça do Juiz, geometria provavelmente proposital, dado a quase-perfeita composição da imagem crucifixo-dourado-Grande Juiz do ângulo de visão daqueles que sentam no lugar destinado aos depoentes. Na foto do post, o maior exemplo nacional deste absurdo: o plenário do Supremo Tribunal Federal, em Brasília.

Enquanto eu observava estarrecido estas questões, iniciou de súbito minha interação com o Grande Juiz. Também terrível! Procurando me intimidar, mas com o olhar suave e austero, nem deu boa tarde e foi logo me perguntando se eu sabia que estava num Tribunal e que ali, sob o amparo da lei, eu não sabia que não podia mentir, sob pena de ser preso por alguma coisa, ou algo assim. Eu respondi que sim, com o medo aumentando à medida que eu reparava em coisas como o grande microfone prostrado na altura da minha boca que gravava tudo o que eu dizia, devidamente editado pelas palavras do Juiz, que traduziam à sua maneira o meu depoimento ditado para a escrivã.
Eu já pensava se podia haver ali algum tipo de detector de mentiras pelo timbre da voz, se o Juiz e a faz-tudo vigiavam tudo em tempo real, essas coisas. A moribunda imagem de Jesus, que me fazia recordar a severidade cristã de minha avó aplicada em minha infância eram demais para mim. Naquele momento, com tudo aquilo me cercando, confesso que quase soçobrei. Quase confessei meus pecados mais íntimos. Quase enumerei os pequenos delitos que cometo na minha vida. Quase!


Felizmente consegui sobreviver, para pelo menos atestar que o Estado Brasileiro não é laico e que a despeito de tudo isso, ainda consegui mentir em favor da mulher processada pela União.

Situação de Crise: Ensino religioso será obrigatório no DF


A pasmacidade é de todos, pois isto acontecerá a partir do ano que vem, tanto na rede pública, quanto na privada. A medida ditatorial indica claramente uma situação de crise, prestem atenção, pois abre margem para que um doutrinamento aterradoramente conservador tente ser incrustado nas mentalidades de nossos jovens. O projeto já está aí.
Não sejamos ingênuos: não existe pluralidade nesta questão. E ela é tida como estratégica pelo segmento religioso evangélico do país (um dos mais conservadores), tanto que uma de suas denominações OFERECEU GRATUITAMENTE para o MEC professores para o ensino religioso da rede pública em TODO O PAÍS. Até agora o Governo recusou. Mas, até quando ele "poderá" recusar?


Existe algo grande sendo preparado para nós, e já está acontecendo, na frente dos nossos olhos estrabiados pela ignorância e pela indiferença, deste ascetismo do próprio eu.

Passo a passo, Brasília (aonde a política local já se encontra dominada por certos grupos evangélicos) deverá seguir os passos de seu eterno modelo e ideal Rio de Janeiro, aonde já aprovaram uma lei - pasmem - que INSTITUIU o Ensino Religioso Evangélico! Apesar do absurdo, reparem que as iniciais desta bestialidade também podem significar algo nobre, como a pureza e a sabedoria na cosmologia afro-religiosa na representação de seus infantes: ERÊ! Só pode ser o cosmos tentando se equilibrar, vá entender...
Crianças, pecado é não se transformar em adultos livres!

A sina dos BBB's


Não deve surpreendê-los o profundo desprezo que sinto pela sub-espécie humana dos ex-BBB's. Enquanto eles estão participando do xou até que pode ser interessante, vá lá! Tem gente que agüenta, que se interessa, passa o tempo... ok! Mas quando viram "ex", a coisa já fica demais: eu me sinto absolutamente constrangido em ver aquele bando de imbecis tentando desesperadamente algum espaço na mídia, algum prestígio, fama, ou sucesso pueris, vazios, apelativos.. Até já escutei falarem em "reconhecimento".. Que raiva que eu tenho desse povo!


Já repararam que sempre que encontramos pessoas que pensam de forma semelhante a nossa nos sentimos reconfortados, em comunhão com algo, ao invés daquela permanente sensação de insensatez, de "peixe fora d'água"?


Pois esta tal "comunhão" aconteceu entre mim e Falcão, vocalista do Rappa. Eu já havia sentido algo parecido quando vi uma entrevista do José Wilker na qual ele dizia que detestava os ex-BBB's que tentavam a carreira de ator, porque eles o atrapalhavam em cena, atrasavam tudo, irritavam todo mundo... Sensacional! Mas podia ser melhor, e descobri isto quando li que Falcão barrou a sonsa e ex-BBB Gyselle Soares durante um xou da banda no Piauí.


O vocalista não aceitou que a morena subisse ao palco para cantar: "Gyselle não cabe no palco do Rappa. Somos muito espaçosos. Ela é pequena, mas não tem sentido ela dançar o tchan com a gente", disse Falcão à cajuína que está tentando se lançar como cantora, atividade que lhe já lhe rendeu sua maior honra: ter sido um dos destaques da festa da escola de samba Grande Rio, cantando o hit "Sacode".


Os ex e futuros BBB's deviam saber que depois do programa só existe um caminho possível para aquelas que são mulheres: fazerem uma boa poupança exibindo as suas próprias na mídia masculina demandante, o que devem fazer antes que o público as esqueça, ou seja, quando o programa do ano seguinte (com novas poupanças) começar. As demais, que não se enquadram no protótipo brasileiro de mulher-super-gostosa (o que é o caso da Gyselle, um pouco "inchadinha" para estes padrões aos quais me referi) devem conter a sua mediocridade e desistir da tal busca pela "fama". Os homens - estes sem exceção - da mesma forma: contenham sua mediocridade e desistam de nos poluir os sentidos.


Apenas para constar: pro meu gosto, a Gyselle bem que poderia tentar a sorte da maneira mais tradicional, pois muitos, como eu, sabem dar o devido valor para certas coisas. Somente espero que ela se decida logo e pare de perder tempo com bobagens. Logo, logo começam a "chamar" o próximo programa e daí, bau-bau!


Ah, antes que eu esqueça, um abraço pro Falcão. Outro pro José Wilker.

Vote em Desidério para maior personalidade de Dourados (MS)


Antes de mais nada, eu gostaria de prestar contas para com aqueles que me lêem eventualmente neste espaço e que, de alguma maneira, estavam sentindo falta de minhas "considerações sobre o mundo". Acontece que eu sofri um acidente que me impossibilitou de escrever durante um tempo, e que consigo me arrastou para um complexo processo auto-hermenêutico e de tlibertação muito violento (dentre outras coisas, parei de fumar cigarros convencionais). Agora que me sinto livre o suficiente para regressar às trincheiras, vou reiniciar a batalha falando justamente em liberdade, o princípio mais supremo que existe.
Falar em liberdade hoje me leva a fazer-lhes um apelo: votem em Desidério para maior personalidade histórica da cidade sul-matogrossense de Dourados!!!


O jornal online "Douradosnews" está realizando uma enquete sobre qual nome teve maior importância para a cidade de Dourados. Dos cinco nomes colocados, um deles é de Desidério Felippe de Oliveira, um ex-escravo que formou a Comunidade Quilombola Desidério Felippe de Oliveira ou Picadinha, em 1907. Durante muitos anos seu nome, enquanto um dos pioneiros da cidade de Dourados, foi devidamente ocultado.

Apesar de jamais ter pisado no Mato Grosso do Sul, entrei no sitio e votei em Desidério. Eu não conheço os demais "dourados", mas certamente eles fizeram menos pela humanidade que Desidério: um deve ser o político que roubava de toda cidade, o outro o médico rico e egocêntrico (que provavelmente também virou político), o outro o artista que projetou o nome de Dourados para o mundo (putz!!!!!), enfim.. nenhum deles foi o revolucionário Desidério.


Portanto, acesse www.douradosnews.com.br e vote no ex-escravo Desidério Felippe de Oliveira. Apesar desta realidade parecer super-distante da nossa, este simples gesto se trata de um ato político, muito importante para a luta dos remanescentes desta comunidade quilombola que tentam reaver suas terras, a despeito da elite fundiária da região que tenta apagar da história - e conseqüêntemente da memória - pessoas verdadeiramente ilustres, como o ex-escravo Desidério e sua gente.

domingo, 6 de julho de 2008

O pequeno Buda e o grande Blaine

Estava assistindo o Discovery Channel e saindo dos meus raros momentos de alienação televisiva quando me deparo com um programa sobre um garoto que dizem ser o novo Buda. Ram Bomjan é um garoto nepalês que um dia resolve meditar debaixo de uma árvore. No Nepal ou em qualquer outro país budista, hinduísta e afins, quem ficar meditando durante meses terá milhões de seguidores. Mais ou menos igual ao que aconteceu com o Forrest Gump quando ele começou a correr.

Pois é, Ram Bomjan ficou durante 10 meses meditando sem comer e beber nada. Disse que voltaria da meditação depois de 6 anos. O pequeno Buda amealhou seguidores e o seu empresário, que assim como Ronaldinho Gaúcho era o seu irmão mais velho, colhia as doações, que segundo a boca pequena nepalesa, somava 15 mil dólares por mês.

O garoto sumiu e o programa da Discovery terminou. Fiquei com a pulga atrás da orelha. O que terá acontecido como pequeno Buda? Abduzido? Seqüestrado? Morto? Apelo para o Google e descubro que o garoto sumiu e apareceu umas três vezes. Coisas de adolescente rebelde...mesmo assim, fiquei feliz pelo garoto estar bem. Parece que deixar de comer ou beber não é uma questão pra ele mas sim para os seus seguidores, que o pequeno Buda também não faz questão de ter. O menino só quer ficar em paz, meditando, na dele...

Divido minhas perturbações com meu colega de trabalho. Falo das frivolidades ocidentais e o apego material desnecessário. Digo que o garoto nepalês é iluminado e milagreiro (fez até uma mudinha sair falando). Disse que ficou 10 meses sem comer e beber. Ele até suava durante a meditação mesmo com um frio de 10 graus.

Minhas palavras não foram eloqüentes o suficiente e não consegui passar nem metade do entusiasmo que tive ao assistir o programa para o meu colega de trabalho. Com um ar desinteressado, sem nem olhar pros lados, fitando o computador e concentrado em seu trabalho, ele apenas levantou uma das sobrancelhas e disse:

- Dez meses sem comer...? Eu já vi o David Blaine fazer coisas mais impressionantes...

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O estilo Google de onipresença


Procurando uma imagem para o post passado digito a palavra “DEUS” no Google. A perspectiva monoteísta cristã do site vem logo à tona. Diante das imagens aparece no topo da página uma sugestão de “pesquisa relacionada”. A sugestão é “JESUS”. Sim, no Universo caótico das informações da internet, nem tudo é anárquico. Google determina que Deus é Jesus. Na visão do Google, danem-se os judeus, budistas, umbandistas! Às favas com a pluralidade religiosa!

O mesmo Google que sugere Jesus, também promove a pornografia infantil. Através do site de relacionamento Orkut, a empresa sofre diversos processos do Ministério Público brasileiro. Google também é um dos principais investigados pela CPI da Pedofilia instalada no Senado Federal. Não faz mal, pois Google é dono do mundo, inclusive é o dono do provedor deste blog que vos escreve. Google contratou “lobistas” a peso de ouro para fazerem trafico de informações sobre a CPI. É mais barato do que se adequar à lei. Quinta-feira passada um lobista a serviço da Google foi preso pela Polícia Legislativa do Senado por manipular informações confidenciais na sala da CPI. O lobista usava um crachá de Aspone de Deputado com validade vencida. Este é o estilo Google de dominar o mundo. Estar em todos os lugares. Se Deus não é onipresente (precisa até de sugestões pra se chegar a ele), Google é. Nem que pra isso precise de um crachá vencido.

Deus é um turista gringo


A Confederação Nacional dos Municípios acaba de divulgar um balanço sobre as mudanças nas prefeituras brasileiras. As notícias não são muito boas. Apesar dos 5.564 municípios, desde a última eleição, apenas 166 foram cassados e somente 57 prefeitos morreram. Destes 57, somente 36 foram por causas naturais (doenças, enfartes e outros). O destino deveria ser um pouco mais generoso como os brasileiros. Nossas estradas também não foram: 9 prefeitos morreram em acidentes de veículos.

Mais de 30 mil brasileiros morrem por ano em nossas rodovias esburacadas e apenas 9 são prefeitos! Definitivamente, Deus não é brasileiro. É um turista gringo mal intencionado. Como nem tudo é desgraça, voto de louvor aos assassinos (que eu prefiro chamar de justiceiros) de 12 prefeitos executados ou que se suicidaram. Esses, com o perdão do trocadilho infame, foram justamente caçados.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Chega de preguiça!


Neste mês de junho os Guerrilheiros trabalharam pouco. Não foi por falta de asssunto. Neste mês teve deputados com gabinetes vasculhados pela Polícia por desviar recursos do PAC, deputado líder de partido acusado de pedofilia, morte de ex-primeira dama, CPI dos Cartões virando pizza e tudo que este país tem direito. Por isso, sem desculpas esfarrapdas neste post, é preguiça mesmo!
A preguiça acabou. Mudamos até o lay out. Se enjoar a gente muda outra vez, ou volta como era. Não se iludam, pois a indignação continua a mesma.

Ziraldo e o Cavalo Selado


Getúlio Vargas costumava a dizer: “Eu não sou oportunista, só que se passar um cavalo selado em minha frente, eu monto!”. Ziraldo não precisa esperar pelo cavalo, ele os desenha, assim como desenhou uma logomarca para o PT após a crise do mensalão.

Ziraldo sempre foi muito bem apadrinhado. É o que chamamos de socialista de boutique. Opiniões de Che Guevara e atitudes de George Soros descrevem o cartunista charlatão. Sempre teve carta branca pra desenhar suas opiniões sem sofrer perseguições políticas. Aliás, a ditadura militar foi o ganha-pão de Ziraldo, fundando até o jornal Pasquim durante ela.

Ziraldo é amigo pessoal de José Dirceu, José Genoíno e Tarso Genro, este último, Ministro da Justiça. Vinculado ao Ministério da Justiça está a Comissão de Anistia, que premiou Ziraldo sob o título de “indenização” com mais de R$ 1milhão. Outro cartunista, Jaguar, também recebeu monta semelhante.

Nem Ziraldo e nem Jaguar foram perseguidos, torturados ou presos durante a ditadura. As indenizações que eles receberam são quase 10 vezes maiores de quem teve um filho morto pela ditadura. Como diria Millôr Fernandes, cartunista que também fundou o Pasquim e que se recusou a prestar o mesmo papelão: “Então eles não estavam fazendo uma rebelião, mas um investimento". Ziraldo é assim, oportunista, daqueles que nem esperam o cavalo passar selado, ele os desenha!

Após a morte da escritora Zélia Gatai, o próximo cavalo selado que Ziraldo está desenhando é a candidatura para a Cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras. Que seja eleito e junte-se a José Sarney, outro imortal entendedor de Cavalos Selados.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

200 anos de Correio Braziliense


Correio Braziliense é o nome de um dos maiores tablóides brasileiros. A marca Correio Braziliense está completando 200 anos. Por vezes a credibilidade já questionável deste panfleto é colocada em questão, como da vez em que um de seus lacaios que assinava coluna diária de festas sociais, Gilberto Amaral, fez uma festa para eleger as “maiores” personalidades de Brasília para a revista Voguel. Amaral, que não se cansa de tirar dinheiro das peruas otárias que não sabem como gastar o dinheiro de seus maridos corruptos, cobrou 8 mil reais para cada um dos supostos perfilados da revista. O fato virou escândalo na alta peruagem brasiliense e o Correio teve que demitir o colunista social para manter um pouco da credibilidade que ainda restava do tablóide.

Que o Correio Braziliense vende reportagens e notas, todos já sabem. Algumas matérias só faltam colocar o preço cobrado nas entrelinhas. A última campanha do Correio é em favor das empreiteiras da capital e contra a Universidade de Brasília.

A UnB foi concebida por Darcy Ribeiro para ser uma Universidade autônoma. Para isso, a instituição foi criada já com patrimônio concebido, que iam desde títulos da Petrobras até propriedades imobiliárias. Algumas destas propriedades ainda existem e deram origem a muitas outras, tendo em vista que a lei só permite desvincilhamento de patrimônio para aquisição de mais patrimônio. A UnB arrecada por ano mais de 15 milhões de reais com aluguéis. A UnB ainda possui diversas projeções em Brasília e, até mesmo, super- quadras inteiras vazias na Asa Norte, local de alta especulação imobiliária. Ou seja, a UnB tem dinheiro e pode fazer investimentos que a maioria das Universidades Federais nem se atreveriam a sonhar. Ponto pra Darcy Ribeiro.

O problema disso tudo é que esse patrimônio já desperta interesse nas construtoras de Brasília, ávidas por usufruir e especular em cima das projeções e terrenos da UnB, proprietária das poucas áreas desocupadas do Plano Piloto da Capital. Os argumentos do Correio Braziliense, ou melhor, das empreiteiras, é que o DF poderia estar arrecadando milhões de IPTU caso fossem construídos apartamentos nos terrenos da UnB. Outro argumento patético é que, caso os imóveis da UnB fossem vendidos, poderia desafogar a especulação imobiliária da região. Como se os terrenos e apartamentos da UnB fossem realmente diminuir os preços absurdos que essas construtoras cobram em seus apartamentos. Durma-se com esse barulho, Darcy Ribeiro!

Parabéns aos 200 anos deste panfleto. Parabéns ao Paulo Otávio, vice-governador do DF, dono da maior construtora do estado e maior anunciante do tablóide...seus interesses estão sendo bem representados, ou melhor, publicados.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Não é a Casa Cor. É o apê do Reitor!!!




terça-feira, 27 de maio de 2008

A verdade sobre o trânsito de Brasília (ou, o Dossiê do Absurdo)


Discutir o trânsito caótico das grandes metrópoles brasileiras não é novidade. Recentemente, em Brasília, a cidade começou a discutir o assunto depois de se ver justamente enquadrada no grupo de cidades que vislumbram a curto/ médio prazo a falência de seu sistema viário urbano. Cada cidade possui problemas, soluções e desafios particulares. Com Brasília não é diferente. Este Dossiê pretende retratar alguns absurdos particulares de Brasília.

1º Absurdo - A frota do DF, que atingiu a marca de um milhão de veículos neste maio, o que perfaz a média de um carro para cada 2,3 habitantes. São Paulo, com a pior proporção do país, tem 1,78 carros/ habitantes. E Brasília, nas estatísticas, conta com um contingente humano que sequer tem dinheiro para passagem de ônibus, o que quer dizer que a média real é bem menor. Há cinco anos, a frota era a metade do que é hoje. Maior do que o problema de vagas para estacionar, ou de engarrafamento, são as mortes de pedestres advindas de um projeto urbanístico assassino, que não pensou na segurança dos passistas (aliás, sequer pensou em passeios públicos, diga-se de passagem!).

Projetos existentes: a melhoria do transporte público foi orçado pelo GDF em impressionantes US$ 246 milhões, que prevêem a implantação de corredores exclusivos de ônibus, construção de terminais de integração e um sistema de cartão que o passageiro poderá usar para pegar mais de um ônibus ou metrô durante um determinado período de tempo (semelhante ao bilhete único adotado em São Paulo). Muito legal, MAS... o prazo otimista para a conclusão do projeto é março de 2010, contando que o projeto não esbarre em outros absurdos. Ou seja, ele jamais se realizará, podem apostar.

2º Absurdo – O transporte público de Brasília, que talvez seja o mais desorganizado, corrupto e desumano do Brasil. É claro que por aqui não se anda num pau-de-arara, mas lembremos que o dono do pau-de-arara nunca teve que vencer uma licitação para oferecer seus serviços oficialmente. Contudo, os donos das empresas de ônibus daqui se comportam com maior desdém do que seus antecessores que traziam a população operária que ergueu este grande hospício.

Estes neo-caminhoneiros, donos das grandes empresas de paus-de-arara que servem Brasília, oferecem um transporte inacreditavelmente ruim. Ônibus sujos, sem horário, sempre lotados, sem tarifa única (sim, acreditem: dependendo do ônibus que você pegar aqui, da MESMA ORIGEM PARA O MESMO DESTINO, você pode pagar tarifas diferentes). O passe estudantil, então, beira a piada. Aqui, você deve comprar os passes por empresa. Quer dizer: onde moro, existem duas linhas que fazem o mesmo trajeto. Cada linha é feita por duas empresas diferentes. Para eu pegar um ônibus para casa com meu passe estudantil, DAS QUATRO OPÇÕES EXISTENTES, devo aguardar por aquela que corresponde exatamente ao meu bilhete. O problema é que, esperar por UMA QUE SEJA das quatro opções pode significar esquentar o banco da parada (quando tem um, ou quando ele não está lotado), por um bom tempo. E tudo isto com a absoluta conivência do GDF, que tem o RABO PRESO para com estes caminhoneiros (sem querer ofender a profissão). Além disso, os governos sabem que o transporte público não dá voto, por isso o descaso permanente.

Os donos das empresas são tão canalhas que preferem não investir em manutenção, priorizando o investimento em capital. Porta do lado esquerdo? Ônibus biarticulado? Piso rebaixado? Não, é complicação demais. Eles preferem simplificar os carros para depois poderem revender para outros países da América Latina. A frota nova que recebeu recentemente a capital é tão moderna quanto a antiga. A única diferença é seu aspecto de limpeza. Acreditem: quando saí de minha cidade, em 2006, desde o início dos anos 2000 os ônibus de lá já eram equipados com ar condicionado, entrada e espaço apropriado para cadeirantes e alguns já se davam ao luxo de não possuírem degraus e se inclinarem levemente para a direita, quando do embarque/ desembarque... ISTO NÃO É UM FAVOR, É UM DIREITO!... Melhoria na frota de ônibus de Brasília? Não me façam rir...

Os donos das empresas também são lentos para realizar qualquer melhoria, mas apressados para renovar seus contratos com o governo, aliás, algo que sempre conseguem. "Também é difícil implantar o bilhete único, porque há uma resistência das empresas à integração tarifária e à liberação de dados econômicos e financeiros em tempo real para o poder público", disse Joaquim Aragão, professor da UnB, ao maior tablóide local.

Projetos existentes: O secretário de transportes Alberto Fraga pretende “reduzir o número de ônibus e vans, porque a idéia é otimizar a utilização do sistema. O usuário vai poder pegar qualquer ônibus onde estiver, porque terá a possibilidade de embarcar em outro ônibus sem pagar mais uma passagem. Com isso, o tempo de espera vai diminuir muito". A redução dos meios de transporte é uma idéia PELEGA, por dois motivos: i) o GDF desresponsabiliza as empresas de ônibus; ii) o GDF pretende reduzir sua frota menos importante (a que serve a população mais empobrecida, essa é a verdade) para contribuir na desresponsabilização da classe média/ alta que possui a quantidade exorbitante de carros em Brasília. Tais aspectos nos levam aos dois próximos absurdos.

3º Absurdo – O transporte coletivo informal, existe em Brasília por relação proporcionalmente direta ao péssimo serviço prestado pelo GDF. São vans e carros de passeio que realizam os trajetos dos ônibus, cobrando o mesmo preço das passagens. Por exemplo, você está na rodoviária esperando o ônibus 101, que leva à UnB. A fila já passou a lanchonete e só se faz aumentar, até que um cara passa por você perguntando “UnB, UnB” ?? Você e mais três são conduzidos até um carro que te cobra o mesmo do ônibus lotado que ainda não chegou e ainda te deixa mais perto do que a parada do "baú" (como falam por aqui) te deixaria. Perfeito: você anda de “táxi coletivo” por dois reais!

Esta forma de transporte, absolutamente anárquica e eficaz, obviamente vai contra a idéia do monopólio, e por isso incomoda e vira crime, sob a bandeira da “segurança” do usuário. Sei...
Mas, como sempre se dá um jeitinho, o caso é se programar para dividir a multa quando pego, que varia de 2 mil reais para primários, a 5 mil para os reincidentes. "Se o carro for muito velho, eles nem vão buscar; preferem comprar outro", diz o gerente de fiscalização da DFTrans, Pedro Jorge, que apreende em média 50, 60 carros por semana. O gerente diz ser difícil monitorar tal clandestinidade, conforme informação da própria polícia. Bem, se o gerente não sabe, eu vou explicar para ele porque a polícia tem esta "opinião".

Estava eu me dirigindo para um destes carros clandestinos quando nosso "guia" pediu ao grupo repentinamente para mudar de direção. Perguntei depois para ele o porquê daquilo. Era porque o policial que estava de guarda ali não era o que eles tinham um esquema já certo, que rendia uns 800 reais para nosso segurança público armado. O outro policial, do qual fugimos, queria cobrar, conforme nosso guia, o “absurdo de 2 mil reais por mês”!

Para além de esquemas para-legais, digamos assim, muitos oferecem carona pelo simples fato de juntar uns trocados para contribuir na gasolina. Eu mesmo já “paguei” caronas assim, feliz da vida por não ter de esperar mais, viajar mais confortável, além de oportunizar para mim a chance de ter algo que sinto muita falta por aqui: conversar despretensiosamente com pessoas desconhecidas, sobre qualquer coisa...

O último item deste absurdo são as vans, proibidas pelo GDF no ano passado. Fico dividido em opinar, pois por um lado era maravilhoso. Eu não precisava esperar mais de dez minutos para tomar uma condução. Por outro lado, as vans eram absolutamente descontroladas e perigosas. Viajavam lotadíssimas e velozmente. Somente eu me ACIDENTEI DUAS VEZES a bordo de uma delas, sem muitos danos, graças aos deuses. Outra vez, quando ia a um show público na Esplanada à noite, tomei uma van com um amigo aonde alegres rapazes compartilhavam com o motorista e com o cobrador um grande charuto de baseado. A “sauna" que se instaurou no interior do veículo constrangeu uma senhora de uns 40 e tantos anos. O restante dos passageiros até que chegaram bem à Esplanada.

4 ºAbsurdo – A cultura do carro em Brasília, é um grande empecilho para a melhora das coisas. O Plano Piloto tem largas avenidas planas, mas poucas ciclovias e calçadas. Quando alguém pede informação sobre como chegar a determinado local, as instruções sempre são dadas levando-se em conta que o interlocutor tem carro. Caso ele diga que vai utilizar o transporte público, a maioria não sabe qual o trajeto a ser seguido, e invariavelmente mandam a pessoa para a Rodoviária!

Por que a "cultura do carro" é tão forte no Distrito Federal? Só vejo uma explicação além do poder aquisitivo: a concepção original da cidade! Mesmo com projeções populacionais erradas, como é que os urbanistas da década de 1950 não conceberam uma cidade com um metrô subterrâneo que interligasse toda o Plano, além das Satélites, ou não diminuíram o espaço inútil que existe entre os lugares?

Carro em Brasília não é um luxo, é uma necessidade. O problema é que desta necessidade reproduziu-se elementos de raiz burguesa, individualista e machista. Tão nojenta, para se resumir o assunto, que o Detran descarta a adoção de um sistema de rodízio por achar que seu efeito seria nulo, já que a mesma família poderia adquirir dois ou mais veículos. É juntar a fome com a vontade de comer: sem um carro por aqui, suas chances de se tornar um outsider, de ficar no seu lugar, são bem maiores.

Projetos existentes: o governo defende medidas restritivas ao uso de veículos, como a criação de corredores de ônibus e a cobrança dos estacionamentos públicos. Cobranças de estacionamentos públicos? Ok. O governo também tem o direito de desresponsabilizar a si mesmo. É mais fácil do que melhorar o transporte público e os passeios da cidade, incentivando seus usos.

5º Absurdo – Metrô do DF, uma grande piada de mau gosto. Ele foi criado apenas em 2001 e sempre serviu para enxotar a massa operária do Plano Piloto para seu local de residência, o mais longe que fosse possível. Assim, acalmaria os ânimos “desta gente”, aliás, política que marcou os governos de Joaquim Roriz por aqui. Por isso, até pouco atrás, ele não funcionava nos finais de semana e terminava seu expediente às 20h. Happy-houer na Asa Sul? Só se for na da galinha que te espera no jardim da tua casa em Samambaia!

Projetos existentes: no final de abril, foram inauguradas quatro estações do metrô em Ceilândia, que aumentaram a malha do DF para cerca de 46,5 km, com um total de 21 estações. Mas o sistema, que começou a funcionar apenas em 2001, ainda é muito limitado. Atualmente, o metrô liga o Plano Piloto a Ceilândia Sul e Samambaia, passando pelo Guará, Águas Claras e Taguatinga. A parte norte de Brasília não é atendida. Ademais, o sindicato dos metroviários é taxativo: ”o que o sindicato espera é o caos", definiu seu presidente, que acrescentou que “as filas (para compra de bilhetes) vão aumentar; não houve compra de trens e estão tirando os bloqueios das estações existentes para colocar nas novas”. Por descaso ou falta de planejamento, vai faltar gente para dar conta da nova demanda. Duvidam?

No feriado de 21 de abril, aniversário de Brasília, o metrô circulou de graça, mas a estação terminal que fica na Rodoviária do Plano Piloto chegou a ser fechada por não comportar o grande número de passageiros. Os ônibus também foram insuficientes. Segundo a Polícia Militar, a festa de aniversário da cidade, na Esplanada dos Ministérios, reuniu um público de 750 mil pessoas.

6º Absurdo – Brasília é patrimônio cultural da humanidade, o que inviabiliza ou dificultas diversos projetos de modernização viária. Alguns realmente são alienantes, mas não todos. O problema é que todos acabam entrando no mesmo saco-de-gatos inoperante daquele órgão que realmente decide as coisas, o Iphan. Até mesmo projetos que estão previstos para o transporte coletivo devem ser discutidas com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

"As obras não podem fugir do traçado original do plano piloto", explica o superintendente regional do Iphan, Alfredo Gastal. O que talvez Gastal não saiba (porque provavelmente anda de motorista pela cidade), é que enquanto o Iphan está preocupado com a estética ultrapassada da cidade, a mesma está em vias de entrar em colapso. Tem que abrir buraco mesmo em toda a cidade, e criar um mundo subterrâneo que permita a superfície se locomover, de preferência sem a necessidade de carros.

7º Absurdo – A realidade de Brasília é lamentável, e dificulta certos progressos no plano urbanístico. Esta é a grande ironia que define a cidade. Os problemas particulares daqui são muitos, como em qualquer lugar. O Eixão, por exemplo, que tratamos recentemente no blog, possui uma grande obra prevista para começar em outubro deste ano, que fará a construção de muretas para separar as pistas do Eixo Rodoviário. A obra deve evitar tanto colisões frontais como a travessia de pedestres comum na via de maior velocidade permitida do Plano Piloto, com limite de 80 km/h. Sem semáforos ou viadutos, quem está a pé tem como opções, hoje, se arriscar em meio ao intenso trânsito de veículos ou utilizar passagens subterrâneas, aonde ser assaltado é o menor dos perigos que corre quem se arrisca passar por ali.

8º Absurdo - A defesa do uso de bicicletas, um verdadeiro perigo revestido com o discurso do "politicamente correto". Já ouvi muita gente dizer isto, defender melhores condições de tráfego para os ciclistas, etc. BOBAGEM! Os ciclistas ATRAPALHAM o trânsito de Brasília, que não está preparado para recebê-los. Entro sempre em pânico quando avisto um na rua, pois como todas as vias são rápidas por aqui, qualquer colisão deixaria Jason com inveja.

Também para os naturebas, ecologistas e há-ri bôs existentes, eu gostaria de informá-los que o Planalto Central possui um dos climas mais secos e indigestos do país. Qualquer pedalada durante o dia aqui significa risco de morte, não somente pelo calor, mas também à provável distância que terás que percorrer entre um destino e outro. Isto é coisa para atletas mais regulares. Muitos profissionais inclusive escolheram o DF como local de treinamento, devido ao seu clima inóspito. Para quem gosta (ou consegue) a solução passa pela iniciativa do governo de criar ciclovias em toda a cidade. Virem-se, se quiserem que eu defenda o ciclismo por aqui!

Por fim, encerro este Dossiê de Absurdos retomando o professor Aragão. Sem financiamento público, disse, as opções seriam apenas medidas "paliativas". "Bicicleta, placa ímpar - placa par, faixa exclusiva de ônibus, tudo isso é visto como novidade, mas já existe há anos. No Brasil, ser moderno é voltar no tempo."

terça-feira, 20 de maio de 2008

História sem Mocinhos


Esta é uma história sem mocinhos. Hipócritas que se apropriam da bandeira do politicamente correto versus políticos e motoristas.

O Eixão é uma pista de 16 Km de Brasília com 9 vias (4 cada mão + pista central). Desde 1991, todos os domingos e feriados, o Eixão fica interditado para os carros e transforma-se no "Eixão do Lazer". O Eixão do Lazer é freqüentado por meia dúzia de moradores do Plano Piloto (área nobre de Brasília), que passeiam e andam de bicicleta pelas vias.

Brasília possui dezenas de parques, inclusive o maior parque urbano do Mundo, o Parque da Cidade, a pouco menos de 2 Km do Eixão. Porém, o Parque da Cidade já está apinhado de pobres que freqüentam o lugar para fazer churrascos e promover o Pagodão dos fins de semana.

Os políticos de Brasília, em nome do bom trânsito dos carros, querem acabar com o Eixão do Lazer. Motivo suficiente para imprensa, universitários, e todo o tipo de gente hipócrita da classe média brasiliense empunharem a bandeira do politicamente correto e se posicionarem contra a medida. Já recebei 3 e-mails correntes para subscrever abaixo assinados contra a medida grotesca que acaba com o “espaço democrático” do Eixão do Lazer. Não assino.

Espaço democrático é o Pagodão do Pirraça, que acontece no Parque da Cidade, e não o Eixão do Lazer, reduto de distanciamento da fétida corja brasiliense. Aos defensores do trânsito livre, que não admitem qualquer interferência em seu cotidiano automobilístico, uma sugestão para que o Eixão do Lazer acabe sem opositores: Levem os Churrascos e Pagodes do Parque da Cidade para o Eixão do Lazer. O Eixão acabará em uma semana.

O chinelo de Joanir

Esta é a história de Joanir Pereira, agricultor da cidade de Cascavel, interior do Estado do Paraná. Como muitos brasileiros, Joanir é um Trabalhador de roça. Trabalha com Sol a pino pra receber, quando muito, um salário mínimo. Geralmente os trabalhadores da roça são explorados pelos seus patrões, que aproveitam do apedeutismo de seus empregados. Joanir não era exceção à regra e levou seu patrão para a Justiça do Trabalho para exigir seus direitos.

Trabalhador e patrão fariam um acordo perante o Juiz. Agricultor ignorante e patrão esperto. Não precisamos dizer quem levaria vantagem neste acordo que não aconteceu. O acordo não aconteceu porque o Juiz, Bento Luiz de Azambuja Moreira, notou que Joanir calçava chinelo, e suspendeu a sessão. A ata do Fórum deixa claro o motivo:

“O juíz deixa registrado que não irá realizar esta audiência, tendo em vista que o reclamante compareceu em juízo trajando chinelo de dedos, calçado incompatível com a dignidade do Poder Judiciário”.

Na audiência seguinte, Joanir, já humilhado, compareceu com sapatos emprestados pelo sogro. O digníssimo magistrado, por estar com processo por falha disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tentou presenteá-lo com um par de calçados. O agricultor recusou. Jovair entendeu que receber esmolas não é compatível com a dignidade do Poder Judiciário. O trabalhador de roça queria apenas os seus direitos, de chinelo ou descalço. Ao Juiz Bento, com certeza, nada acontecerá. O CNJ concordará que chinelos são incompatíveis com a dignidade do nosso judiciário lento e fracassado.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Desonra na Justiça, falência do Brasil

Em Planaltina (DF), uma mulher foi recentemente condenada a pagar uma indenização de sete mil reais ao ex-marido. Motivo? Na época em que estavam casados, o imbecil flagrou a mulher com outro homem na cama do casal. Na separação, o ex-marido já ficou isento de pagar pensão alimentícia pelo ocorrido. Não contendo sua dor-de-cotovelo, o (pelo visto) merecido corno, imputou uma ação por danos morais contra a mulher, pedindo a quantia de quatorze mil reais para limpar sua honra.

Colocado o preço da limpeza, a Justiça achou-a muito cara, pois a réu possui uma situação financeira que não é lá das melhores. Assim, no auto da sua sabedoria, isenção e falocentrismo absoluto, nossa admirável Justiça (no caso o TJDF) condenou-a a pagar a metade do valor pedido. E sem direito a recurso!

A moral da história é uma só: abriu-se um precedente para determinarmos a falência econômica da família brasileira. Já não sei se a lei vale para ambos os sexos. Deve lá valer. Sendo assim, a quantidade de mulheres que tem direito a fortunas no Brasil é incalculável! Alguns podem me dizer que este tipo de procedimento já indica um certo avanço em nossa legislação, se lembrarmos que até a Constituição de 1988 o “crime de honra” estava previsto na Lei: se o marido matasse o amante e a mulher, seu ato não seria imediatamente classificado como homicídio.

Em minha opinião, este caso mostra apenas uma pintura de falta de honra: a que existe no meio jurídico brasileiro. Termino na esperança de que os magistrados que acataram a ação continuem sendo magistralmente corneados por suas ilustres peruas.

120 anos da Lei Áurea


Se você for negro, a probabilidade de você não ler este post é grande. 70% dos analfabetos no Brasil são negros. Apenas 22% dos estudantes de ensino superior em idade adequada são negros. Ok, ok, você consegue ler este post, mas você deve ser um capacho, pois a possibilidade de você ter algum cargo de chefia é menor ainda, somente 4%. Ok, ok, considerando que você não é um analfabeto, ter feito ensino superior e exercer um cargo de chefia, dane-se, pois o branco ao seu lado, que faz o mesmo serviço, ganha 40% a mais. E não adianta se revoltar. Aproveite a sua vida melhor com outras coisas, divirta-se! Até porque, a possibilidade de você passar dos 60 anos é de somente 8%.

Enquanto isto, o Estatuto da Igualdade racial tramita no Congresso Nacional. Nossos legisladores, desde a época do Império, ainda pensam que podem modificar o cotidiano racista de nossa sociedade através de leis. Viva a Lei Áurea!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Um Dia das Mães "Global"


Ontem foi dia das mães. Algo bobo, alguns podem alegar, ou desnecessário, sei lá... mas ainda assim ontem foi dia das mães! Pois eis que neste dia das mães, eu - que moro longe da minha - estava assistindo ao futebol à tarde na Globo. Fiquei sabendo, ainda no primeiro tempo, que hoje (ontem) o Fantástico exibiria uma entrevista exclusiva com uma mãe, possivelmente a mãe mais famosa do país neste momento: a mãe de Izabela Nardoni, a menina assassinada brutalmente em um bairro próspero de São Paulo.


Achei aquilo perverso e esperei pelo momento da entrevista. Depois de tanta espera, aguentei assisti-la menos de dois minutos!!! Já na apresentação, aquele homoafetivo que apresenta o programa (esqueci o nome dele) disse que a mãe de Izabela decidira somente agora se pronunciar sobre o caso. Pensei: "puta merda, agora apelaram de vez"... era muita coincidência: tudo aquilo acontecendo no dia das mães.


Não sei como me pronunciar a respeito de tudo isto. Mas sei que a Globo é canalha, e que a mãe da menina está sofrendo. ademais, não importa se havia um motivo para a mãe conceder a entrevista. Importa reconhecer a trágica escolha editorial pela tragédia que temos em nossos veículos de comunicação. Ela rende muito, não entendo muito bem como, nem porque.


Apesar de toda a miséria moral humana que ronda este assunto, pretendo deixar aqui um leve aroma de flores, em homenagem à todas as mães que existem: mulheres que vieram a este mundo para sofrer...

terça-feira, 6 de maio de 2008

Moderação de comentários

Pessoal, recebemos diversas manifestações sobre a moderação dos comentários ao blog. Não censuramos opiniões, por mais agressivas, difamatórias, fascistas, negativas, ou sejam lá o que sejam. Todos os comentários serão liberados em tempo. O dipositivo moderador é somente para evitar vírus, propagandas e afins.

O caso Ronaldo


Vejam só como são as coisas: há pouco tempo, falei de Ronaldo e daquilo que de fato era seu maior fator de desarranjo perante a opinião pública: seu peso.
Pois eis que Ronaldo consegue aprontar uma confusão histórica, daquelas que entram nos anais do inconsciente coletivo e lá permanecem por muito tempo, muito mesmo.
Apesar de minha falta de vontade perante o assunto, vi-me na obrigação de comentá-lo neste espaço. Contudo, esperei a poeira baixar um pouquinho para melhor avaliar a situação, emitir uma opinião menos reativa aos acontecimentos, e não precisar ficar "chovendo no molhado" (a imprensa já faria o serviço a contento).
Neste ínterim, percebi que as opiniões podiam ser agrupadas em dois grandes grupos: naquele dos que acham que ninguém tem a ver com a vida pessoal do Ronaldo e que os outros são um bando de intrometidos e fofoqueiros; e naquele dos que acham que Ronaldo vive de uma imagem pública, agora descoberta ser hipócrita, e que ele deve pagar publica (e midiaticamente) pela humilhação de seu ícone de bom-moço, embaixador do raio-que-o-parta.
O que dizer disto tudo?
Nada!!!
Que se foda o Ronaldo!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A sagaz Filosofia de Sebastião



Do filósofo carioca Sebastião Rodrigues Maia:
“O Brasil é o único país onde, além de puta gozar, cafetão ter ciúme e traficante ser viciado, pobre é de direita.”

terça-feira, 29 de abril de 2008

Lo Prado: um bom lugar para se morrer


O prefeito de um subúrbio da capital chilena anunciou que irá distribuir Viagra de graça aos moradores com mais de 60 anos de idade. “O objetivo é dar à população mais velha uma qualidade de vida melhor", disse Gonzalo Navarette Muñoz, prefeito de Lo Prado, um subúrbio ao sul de Santiago.

Navarette Muñoz disse que teve a idéia depois de ouvir vários pacientes reclamando da baixa qualidade da vida sexual, quando trabalhava como médico.Segundo o prefeito, em poucos dias os médicos irão começar a distribuir o remédio, e a prefeitura pagará a conta. Pelo plano, cada homem poderá receber o remédio até quatro vezes ao mês depois de passar por um exame médico.

Com o plano de previdência que temos por aqui, vou desde já agilizar minha nacionalidade chilena. Chi-Chi-Chi, Le-Le-Le, Vi-va Chi-le!!!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Sobre túnicas e parasitas

Uma coisa leva à outra. Ao procurar no Google uma imagem para compor o post anterior, deparei-me com a fotografia da suposta túnica usada por São Francisco de Assis, nos idos anos do século XIII!!! A Física inclusive autenticou sua veracidade no tempo (não seu uso por São Francisco, é claro). Como uma coisa leva à outra, lembrei-me do poema Parasitas, do brilhante escritor portugûes Guerra Junqueiro (1850-1923):

No meio duma feira, uns poucos de palhaços
Andavam a mostrar, em cima de um jumento
Um aborto infeliz, sem mãos, sem pés, sem braços,
Aborto que lhes dava um grande rendimento.

Os magros histriões, hipócritas, devassos,
Exploravam assim a flor do sentimento,
E o monstro arregalava os grandes olhos baços,
Uns olhos sem calor e sem entendimento.

E toda a gente deu esmola aos tais ciganos:
Deram esmolas até mendigos quase nus.
E eu, ao ver esse quadro, apóstolos romanos,

Eu lembrei-me de vós, funâmbulos da cruz,
Que andais pelo universo, há mil e tantos anos,
Exibindo, explorando o corpo de Jesus.

São Francisco de Assis se agita túmulo

Claudio Ricci, o prefeito de Assis, cidade italiana onde nasceu e morreu São Francisco (1182-1226), devoto aos pobres e seu maior padroeiro, decretou a proibição de mendigos na cidade. Como se não bastasse, também foi proibido sentar e deitar no chão. O prefeito justificou a medida como forma de "preservar o caráter sagrado de Assis, sem renunciar à noção de acolhimento" (hã?). Para são Francisco ficar de bruços no túmulo, só falta o prefeito proibir o canto dos pássaros agora!

Por aqui, a prática é tão antiga quanto o próprio São Francisco. Grande parte das cidadezinhas do interior costumam lotar suas Kombis da prefeitura com moradores de rua para desová-los nas capitais ou principais cidades circunvizinhas.

Por lá, para o padre Vincenzo Coli, responsável por um convento franciscano de Assis, "é difícil dizer o que São Francisco faria hoje em dia, já que os tempos mudaram". Nos tempos de hoje, provavelmente São Francisco criticaria a medida em seu blog. Mais do que isso ele não poderia fazer, pois, como bem lembrou o padre Vincenzo, os tempos são mesmo outros.

domingo, 27 de abril de 2008

Felizmente, Paulo obtém autorização para passar a se chamar Paola


Foi com grande alegria que recebi esta notícia: agora, de acordo com a Justiça, se o nome da pessoa não corresponde ao seu gênero/ sexo constante do registro civil, poderá ter a sua dignidade violada. Com este entendimento, a 8ª Câmara Cível do TJRS autorizou a mudança do sexo de homem para mulher, no registro civil, quando só foi deferido o registro da mudança do prenome. A parte interessada alegou que após cirurgia transexual, passou a ter genitália externa feminina, não restando qualquer resquício de genitália masculina no seu corpo.

Mesmo que o deferimento da troca de nome não tenha se estendido para a troca de sexo nos assentamentos cíveis, pois na avaliação do juiz responsável “o autor tem apenas aparência de mulher, não há alteração genética; o demandante pertence ao gênero masculino e a origem genética e a natureza biológica não se modificam com a cirurgia”, a simples troca do prenome já me pareceu uma vitória contra a peculiar cegueira conservadora do meio legislativo e jurídico brasileiro.

Infelizmente, este tipo de matéria ainda é conduzido de forma obsoleta pelo judiciário. A demandante teve que passar pelo constrangimento de uma perícia médica legal, que constatou em seu lado que a Paola possui “a presença de genitália externa feminina, e mamas bem desenvolvidas, vagina medindo 17cm de comprimento, grandes e pequenos lábios, clitóris presente e meato uretral tópico, não havendo qualquer resquício de genitália masculina no seu corpo".

Este tipo de procedimento seria facilmente contornável se a justiça reconhecesse a auto-atribuição de gênero das pessoas, sem a necessidade que uma junta especializada tenha que dizer o que uma pessoa é ou deixa de ser. Todavia, parabéns Paola! Seja feliz e sirva de exemplo para nossa sociedade careta e preconceituosa.

O poder da bebida: russo não percebe faca cravada nas costas por horas

Um russo da localidade de Vólogda ficou horas com uma faca de cozinha fincada nas costas sem perceber. De acordo com os médicos que o atenderam, a faca, de aproximadamente 15 cm, não chegou a atingir nenhum órgão vital, embora tenha pegado de raspão a parede pulmonar. Segundo um médico, (o herói) Yuri Lialin sentiu um incômodo ao se encostar, mas não percebeu a existência da faca. Ao que tudo indica, foi um segurança, colega de trabalho de Lialin, que cravou a faca em suas costas.

O homem disse que havia passado a tarde bebendo na companhia do colega na guarita de segurança e que em algum momento abraçaram-se. Na manhã seguinte, a vítima amanheceu com uma enorme ressaca, decidiu ir embora d